terça-feira, 22 de janeiro de 2019

VIDRO: a Conclusão do Melhor Universo de Super-heróis do Cinema! (Crítica sem Spoilers)


M.Night Shyamalan é um dos poucos diretores que se tornaram uma marca. Além dele, apenas Steven Spielberg, Quentin Tarantino, Martin Scorcese, Clint Eastwood e James Cameron estão no mesmo nível, em que o nome no cartaz do filme ganha tanto destaque quanto os atores. Em toda a sua filmografia, Shyamalan segue a mesma fórmula: roteiros instigantes com uma inesperada reviravolta no final (os famosos plot twists). Corpo Fechado, de 2000, seguia a mesma cartilha, apostando nos filmes de super-heróis antes do gênero virar febre mundial. Fragmentado, de 2017, surpreendeu a todos revelando, na conclusão, que fazia parte do mesmo universo de Corpo Fechado. Assim, VIDRO acaba de ser lançado com a difícil tarefa de fechar a trilogia com o mesmo sucesso de crítica (e público, claro) que os dois filmes anteriores. Será que conseguiu?


O filme se passa logo após os eventos de Fragmentado, com Kevin (James McAvoy) e suas múltiplas personalidades sequestrando um grupo de adolescentes para servirem de sacrifício à Besta, sua mais poderosa e violenta identidade. David Dunn (Bruce Willis) está em seu encalço, e o encontro dos dois resulta em uma cena de ação empolgante já no início do filme, coisa rara nos filmes de Shyamalan (com exceção dos filmes mais impessoais do diretor, como O Último Mestre do Ar e Depois da Terra). Os dois são detidos e mandados para um hospital psiquiátrico, sob os cuidados da Dra. Staple (Sarah Paulson), que já trata de Elijah Price (Samuel L. Jackson) ou Sr. Vidro, preso desde os eventos de Corpo Fechado, há mais de 15 anos. O objetivo da psiquiatra é convencer os três de que sofrem um distúrbio mental e que não passam de seres humanos normais, sem super poderes.


À medida que a doutora tenta convencer os protagonistas (e a plateia) de que todos os extraordinários feitos dos filmes anteriores têm uma explicação científica, o filme culmina para o embate entre David, a Fera e o Sr. Vidro. James McAvoy (a exemplo do que fez em Fragmentado) dá um show de interpretação, alternando entre suas várias personalidades. Muitas vezes percebemos quem é a identidade que assume apenas pelo olhar e expressão corporal! Samuel L. Jackson teoricamente é o grande protagonista, já que dá título ao filme. Entretanto, no primeiro ato fica em estado catatônico, ganhando destaque só no fim do segundo ato. Bruce Willis, apesar de ser o herói, acaba sendo o mais apagado do roteiro.


Como em todos os filmes de Shyamalan VIDRO aborda temas como família, fé, redenção e acontecimentos extraordinários no mundo real. E como é ambientado em um universo de super-heróis, brinca o tempo todo com os arquétipos do gênero, como o herói, os vilões (tanto o capanga musculoso quanto o Mastermind), as fraquezas e, principalmente, os sidekicks, os companheiros/ajudantes, representados aqui por Joseph (Spencer Treat Clark), Casey (Anya Taylor-Joy) e a Sra.Price (Charlayne Woodard). Um recurso utilizado pelo diretor para a construção (e descontrução) dos arquétipos e clichês dos super-heróis é o uso de flashbacks e até cenas não utilizadas dos filmes anteriores. Os enquadramentos inusitados, tão característicos de seus filmes, são menos utilizados aqui, já que o diretor apela mais para as cenas de ação e menos para o suspense, principalmente no terceiro ato. 


E se o público espera um plot twist no final, Shyamalan nos brinda simplesmente com TRÊS reviravoltas na conclusão. Se vai agradar a todos, é difícil dizer, mas pelo menos o indiano naturalizado americano conseguiu concluir seu universo cinematográfico de super-heróis de uma maneira instigante que só ele seria capaz. Cada um que confira o filme e tire suas próprias conclusões!

Por hoje é só!
Até a próxima!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Sessão Gepeto: SHARKOR, um super-herói aquático exclusivo!



Nada melhor do que começar os posts de 2018 com a nossa querida Sessão Gepeto, em que eu crio action figures customizadas exclusivas! Aproveitando o hype de AQUAMAN, que acaba de passar 1 bilhão de dólares nas bilheterias, pensei em um herói aquático, já que não tenho nenhum na minha coleção. 
Heróis aquáticos são mais comuns do que parece. Além de Aquaman da DC e Namor da Marvel, temos Abe Sapien (das HQs de Hellboy), Triton dos Inumanos (também da Marvel e mais conhecido hoje graças à mal-sucedida série) e até um herói brasileiro, o Tritão, membro do Panteão Valoroso, grupo de heróis criado por Maurício Dias. E esses são apenas alguns das dezenas de personagens aquáticos das HQs.


Para fazer o meu personagem, optei por uma posição de nado. O melhor boneco que encontrei para o corpo foi o Dr. Manhattan, que já estava em uma posição próxima do que eu queria, com os braços  e pés estendidos. Além disso, já estava sem cabeça, que foi utilizada para o Saitama de One Punch Man, boneco que já foi tema de uma Sessão Gepeto anterior (para saber mais, clique aqui).


Com massa epóxi, modelei a cabeça em forma de tubarão, a grande barbatana dorsal e as barbatanas menores para os braços e pernas e as barbatanas em forma de nadadeira caudal para os pés. Depois, foi só pintar com tinta cinza. 



Como ele está nadando, precisava de uma boa base. Providencialmente, eu tinha uma base em forma de onda de um kit plástico do Darwin, o golfinho super-inteligente da série SeaQuest DSV, uma obscura série produzida por Steven Spielberg e estrelada por Roy Scheider entre 1993 e 1996. O golfinho a muito tempo se foi, vítima de uma faxineira descuidada. Não sei por quê, mas guardei a base em forma de onda, pensando que um dia seria útil... E não é que eu estava certo?


A base parece que foi feita para ele! Modéstia à parte, ficou bem legal! Agora é só bolar o plot do personagem, que, a propósito, é uma das partes mais divertidas de criar um boneco inédito...


"Um mergulhador da Marinha americana sofre um acidente e é salvo ao participar de um projeto secreto do Governo. Ao receber implantes de nano-robôs e células-tronco de tubarão (o predador mais bem-sucedido do planeta), ele se torna SHARKOR, um mutante meio humano, meio tubarão. Com força e resistência sobre-humanas para suportar a alta pressão em ambientes subaquáticos, SHARKOR é um especialista em missões de resgate e infiltração em alto mar!"


Parabenizando AQUAMAN pela entrada no seleto clube do Bilhão, o ONARI BLOG (que vai completar este ano 10 anos de existência!) deseja a todos um excelente 2019!

Por hoje é só!
Até a próxima!




quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O Crossover do Ano: LIGA DA JUSTIÇA e... TURMA DA MÔNICA?

Já divulgado há algum tempo, saiu este mês um dos mais aguardados e inusitados crossovers do quadrinhos: Turma da Mônica e Liga da Justiça! Os personagens de Maurício de Sousa sempre tiveram alguns heróis nas suas revistas, mas eram suas próprias versões de heróis conhecidos, como Batmão, Superomão, Homem-Aranho, Mulher-Maravilhosa, Capitão Americano, etc. Entretanto essa é a primeira vez em que Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e outros dividem suas histórias com os "reais" personagens da DC (com direito ao logo da editora na capa das revistas do mês)!
É claro que o traço foi adaptado ao estilo da Maurício de Sousa Produções, mas o resultado ficou muito interessante. Vamos conhecer com mais detalhes como ficaram as revistas.

TURMA DA MÔNICA 44

Principal revista do crossover, tem a participação de toda a Liga da Justiça - ao contrário do restante, que conta com um ou dois membros contracenando com um ou dois integrantes da Turma da Mônica. A história começa com uma homenagem aos 80 anos do Superman, ocasião em que a turminha visita a Fortaleza da Solidão. Logo de cara temos uma referência a uma das melhores histórias do Superman, a célebre "Para o Homem que Tem Tudo", de Alan Moore. Em seuida temos a participação de vários vilões e referências a várias histórias clássicas, tudo com o bom humor típico da Turma da Mônica, com destaque para a encaranção de Cebolinha como Batman. Imperdível.

CEBOLINHA 44

Batman participa da revista do Cebolinha, com várias referências às histórias clássicas, como "Silêncio", "Cavaleiro das Trevas" e "A Piada Mortal" (esta última é genial e impagável). Outro ponto forte da coleção.


MÔNICA 44
Lanterna Verde e Mulher Maravilha têm sua participação em Mônica 44, envolvidos em mais um plano infalível do Cebolinha para derrotar a Mônica. Talvez pelos personagens não terem histórias tão icônicas quanto Batman e Superman, não é tão divertida quanto as duas primeiras. 


CASCÃO 44

A revista do Cascão conta com a participação inusitada do Aquaman, o que gera uma dinâmica interessante, já que teoricamente s dois personagens não combinam. Pena que tenha poucas referências ao filme (que está estreando hoje no Brasil), restringindo-se ao personagem clássico, que convenhamos, não está entre os mais populares.


MAGALI 44

Magali divide sua revista com o Flash e a Mulher-Gato, uma combinação que na minha opinião foi a mais fraca da coleção (ainda que divertida, como todos os gibis).

CHICO BENTO 44

Chico Bento sempre foi uma espécie de alter-ego do Maurício, para falar de valores inerentes à vida simples do campo, e sempre gerou algumas das mais poéticas histórias da Turma da Mônica. Na história em que contracena com Superman e Mulher Maravilha não é diferente, também destacando-se na coleção.


Observação: A Turma da Mônica Jovem também vai contar com a participação da Liga da Justiça, mas ainda não conferi...


VEREDITO:

Eu, que aprendi a ler com a Turma da Mônica e lia para os meus filhos os gibis (principalmente durante os anos em que minha esposa fazia faculdade à noite e eu os punha para dormir), há muitos anos não comprava os gibis dos personagens mais queridos do Brasil. Pela primeira vez em anos, passei na banca e comprei todos os gibis do mês... e não me arrependi!

Por hoje é só! Até a próxima!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Saiu o Trailer de VINGADORES 4!

O ONARI BLOG não é um canal de notícias como o Nerdbunker do Jovem Nerd ou o Omelete, que ficam atualizando em tempo real as notícias do mundo nerd. A proposta aqui sempre foi postar assuntos que eu gosto relacionados à Cultura Pop, mas o hype em torno dos Vingadores está tão aquecido devido à expectativa após o dramático final de Vingadores - Guerra Infinita que agora que acabou de sair o Trailer de VINGADORES - ULTIMATO (End Game no original), decidi comentar brevemente o trailer.

Confira o trailer que acabou de sair:


Basicamente, no trailer vemos Tony Stark tentando entrar em contato com a Terra e voltar a bordo da nave e os poucos que sobraram lamentando a perda dos companheiros. O grande destaque é o retorno de Clint Barton (Gavião Arqueiro) na pele de outro herói, o Ronin (como ocorreu nas HQs) e a revelação do subtítulo (que todos pensavam ser Aniquilação mas agora foi revelado ser Ultimato). O trailer encerra com  Scott Lang (Homem-Formiga) chegando ao QG dos Vingadores.
Agora é esperar o próximo trailer com mais cenas de ação e conferir o filme no ano que vem...

Por hoje é só! Até a próxima!

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

RARIDADES: Action Figures Que Só Foram Lançadas no BRASIL!


Todo colecionador quer possuir os itens mais raros e exclusivos. São as famosas Moscas Brancas: edições limitadas; exclusivas de feiras ou eventos; autografadas ou customizadas. Com os colecionadores de bonecos e action figures não é diferente. 
Os colecionadores brasileiros sofrem um pouco, já que algumas action figures nem chegam aqui e precisam ser importadas, o que dificulta um pouco o hobby. O que muita gente não sabe é que alguns dos bonecos mais raros do mundo foram lançados exclusivamente no Brasil! Vamos conhecer alguns?

PANTERA NEGRA - GULLIVER 


Alguns dos personagens mais famosos como Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Homem-de-Ferro, Capitão América e Homem-Aranha já tinham virado miniaturas em vinil. O Pantera Negra também ganhou a sua versão no final dos anos 70, mas posteriormente foi "transformado" no Surfista Prateado (na mesma posição, mas pintado de prata e a base transformada na prancha). Assim, nunca mais foi relançado, o que o torna uma raridade. um exemplar em bom estado vale em torno de R$500,00...


 DINOSAUCERS - GLASSLITE


Dinosaucers foi uma série americana de animação que trazia dinossauros alienígenas humanóides que se transformavam em... dinossauros! Transmitida inicialmente pela Rede Globo, fez um relativo sucesso. Já no restante do mundo, não foi tão bem recebida, o que levou ao cancelamento de uma série de bonecos cujos moldes chegaram a ser produzidos. Esses moldes chegaram à empresa brasileira Glasslite, que lançou 6 dos 8 personagens previstos, em 1988. Como não foram lançados em nenhum outro país, hoje são raríssimos. Ah, se eu soubesse na época... 


MACGYVER - GLASSLITE


Outro personagem que só a Glasslite lançou, a action figure de Macgyver chegou às lojas em 1994, quando o personagem já nem era tão popular (a série havia sido encerrada nos EUA em 1992). Além disso, é tosca e mal-feita, mas a exclusividade a tornou rara e cobiçada. Fazer o quê...


 TORAK - ESTRELA 


No começo dos anos 80, a Brinquedos Estrela mudou o conceito do Falcon (nos EUA chamado de G.I. Joe e adotando um conceito militar) para um visual e contexto mais futurista, apostando na onda de Star Wars. E acertou em cheio, criando um vilão exclusivo do Brasil: Torak, claramente inspirado em Darth Vader, com capacete, capa, raio peitoral e garra na mão esquerda. Um personagem tão legal que ganhou um relançamento este ano!

CONDOR - ESTRELA

 
Seguindo a mesma linha futurista da linha Falcon, a Estrela lança logo depois de Torak o aliado biônico de Falcon: Condor. Com visual heroico e espada, o grande destaque era quando se retirava o capacete, revelando a cabeça com circuitos eletrônicos - na verdade era um simples adesivo, que no meu boneco foi "gentilmente" retirado pela minha prima pequena, que abocanhou a cabeça do pobrezinho...

COBRA DE AÇO - ESTRELA



Aqui no Brasil a linha G.I.Joe foi lançada pela Estrela como Comandos e Ação (e foi a minha coleção favorita da infância). No final dos anos 80, lançou Cobra de Aço, um boneco exclusivo, unindo a cabeça do Snake Eyes (Cobra Invasor aqui) com o corpo e equipamentos do Flash (Raio Laser aqui), com uma nova pintura. Uma ideia simples mas que resultou em uma figura muito legal... e rara!


VLIX - GLASSLITE


O boneco mais raro dessa lista (na verdade, um dos mais raros do mundo) tem uma história parecida com a dos Dinosaucers. Derivada de uma série de animação que não foi tão popular, gerou alguns bonecos, sendo que alguns personagens tiveram seus moldes produzidos mas foram cancelados antes de virarem bonecos propriamente ditos. Um molde foi adquirido pela Glasslite (sempre ela) e produzido apenas no Brasil. O detalhe é que se trata de um derivado de Star Wars! Estamos falando da série Droids, protagonizada por R2-D2 e C3PO, cujo vilão Vlix só foi produzido aqui! Um exemplar encartelado em ótimas condições chega a valer mais de 12.000 dólares!

Quem disse que ser colecionador no Brasil é ruim? Só precisávamos de um DeLorean...
Por hoje é só! Até a próxima!

domingo, 25 de novembro de 2018

COBRA KAI - Análise da Primeira Temporada


Quem acompanha o blog sabe que a franquia KARATE KID é um dos assuntos mais recorrentes aqui. Grande sucesso nos anos 80, a saga de Daniel Larusso e do Sr. Miyagi está na minha memória afetiva (e de toda a minha geração), sendo que os dois primeiros filmes estão no meu seleto hall de favoritos de todos os tempos. Então imaginem a minha empolgação quando foi anunciada COBRA KAI, uma série que dava continuidade à franquia, trazendo de volta os personagens Daniel Larusso e seu antagonista do primeiro filme, Johnny Lawrence. O destaque é que a série traria de volta seus intérpretes originais, Ralph Macchio (Daniel) e William Zabka (Johnny) nos papéis que os consagraram mais de 30 anos atrás! 
A grande surpresa é o destaque dado a Johnny Lawrence, que no filme original era apenas o bully antagonista. Na série, ele não apenas ganha mais profundidade como é o verdadeiro protagonista, já que a série acompanha a jornada do personagem de um sujeito que não deu certo na vida para um inesperado papel de professor e mentor. Já Daniel Larusso continua como co-protagonista, mas em alguns episódios se comporta quase como um vilão, o que provoca uma interessante reflexão, já que não conta mais com a tutela do antigo mestre, o Sr. Miyagi eternizado por Pat Morita.


Falando nisso, as referências aos filmes originais (e a cultura pop da época) são o ponto forte da série. Para a nova geração, sobram referências atuais, como cyberbullying, choque de cultura entre pais e filhos e a onda politicamente correta.
Uma boa sacada da série é abandonar a abordagem maniqueísta dos filmes originais, nos quais os personagens eram divididos em bonzinhos e vilões. Como na vida real, os personagens apresentam facetas ora boas, ora ruins, de acordo com as escolhas que fazem. Johnny continua o bully preconceituoso do primeiro filme, mas tem que encarar um inesperado papel de mentor e figura paterna (exercida pelo Sr.Miyagi nos filmes) de Miguel, que acaba sendo o Karate Kid da série. Já Daniel acaba tomando como aluno o filho rebelde de Johnny, criando uma dinâmica interessante entre os dois protagonistas.


A série estreou em maio deste ano no YouTube Red e se tornou um grande sucesso, garantindo uma segunda temporada! Levei 6 meses para falar sobre COBRA KAI não apenas porque demorei para conferir os 10 episódios, mas também porque eu não queria fazer uma breve resenha da temporada. Como a franquia é uma das minhas favoritas, achei que a série merecia um análise mais detalhada. Assim, vou comentar todos os episódios da primeira temporada de COBRA KAI (com alguns spoilers, claro). Preparado?

Episódio 1 - Ace Degenerate (Campeão Degenerado)


A série começa exatamente onde o primeiro Karate Kid acabou, no clímax em que Daniel dá o famoso chute da garça em Johnny (usando inclusive as mesmas cenas). Após receber o chute, Johnny cai e temos a passagem de tempo de 34 anos, em que vemos que ele nunca se levantou: perto dos 50 anos, ele mora em um apartamento decadente, trabalha em um subemprego fazendo manutenção em mansões e continua o mesmo babaca preconceituoso dos filmes. Além disso, conhecemos um pouco mais de sua vida: separado, não fala com o filho adolescente há anos e tem uma relação difícil com o padrasto rico. Sua situação ganha um contraste maior quando é mostrado que Daniel se tornou um bem-sucedido empresário (dono de uma próspera empresa de venda e manutenção de carros), rico, bem casado e pai de 2 filhos. Inconscientemente, Johnny culpa a derrota no torneio pela sua vida infeliz. Após defender involuntariamente seu vizinho Miguel (Xolo Mariduena) de um bando de valentões, decide reabrir o dojo Cobra Kai (após ouvir um inspirador discurso... do filme Águia de Aço!).


Episódio 2 - Strike First (Ataque Primeiro)


Após vermos a situação de Johnny, o segundo episódio é visto pelos olhos de Daniel, que fica visivelmente incomodado com a reabertura do dojo Cobra Kai. Aparentemente, o karate sempre fez parte de sua vida, mas seu próprio dojo em casa (onde treinou sua filha quando criança), está transformado em depósito. Outra referência ao seu passado no karatê é o fato de todos os seus clientes receberem um bonsai de lembrança. Quando se lembra dos treinos com a filha, temos a primeira menção ao Sr. Miyagi. Ao tentar se entender com Samantha, sua filha adolescente (Mary Mouser), convida Kyler, um garoto em que ela está interessada (e o principal bully de Miguel), para jantar, momento em que temos outra referência ao filme original, quando pergunta ao garoto como ele se machucou, da mesma maneira que o Sr. Miyagi o abordou. Ouros coadjuvantes são apresentados, como Demetri e Eli (que depois fica conhecido como Hawk), os amigos losers de Miguel; Aisha, estudante negra e obesa que tinha amizade com Samantha mas foi preterida pela amizade com colegas mais populares; e finalmente, Robbie, o filho delinquente de Johnny. O episódio encerra com Daniel confrontando Johnny, reacendendo a rivalidade, mas não sem antes uma última e divertida referência, quando Miguel pergunta a seu sensei se existe um método para limpar as janelas.

Episódio 3 - Esqueleto (idem)


Aqui a principal referência (evidenciada no título) é a fantasia que Miguel usa no baile de Halloween da escola, idêntica ao que Johnny usou no filme original - se antes era o Sr. Miyagi que arranjava a fantasia (de chuveiro) para Daniel, na série é Johnny que providencia a fantasia de Miguel. Estabelece-se, assim, uma relação entre mentor e aluno entre Johnny e Miguel, que fica mais evidente no próximo episódio. Alguns elementos atuais são abordados, como cyberbullying e stalking via smartphones.


Episódio 4 - Cobra Kai Never Dies (Cobra Kai Nunca Morre)


O episódio começa mostrando a rotina de Robbie, o filho de Johnny, cercado de más companhias e pequenos delitos. Johnny tenta se reaproximar dele, mas nem ele nem a ex-mulher se mostram interessados, o que o leva a perceber sua afeição a Miguel. Daniel fica incomodado com uma pichação em um outdoor. Sam percebe o verdadeiro babaca em Kyler.


Episódio 5 - Counterbalance (Contrapeso)


Talvez o melhor e mais emocionante episódio da série. Daniel começa a agir quase como um vilão, visando prejudicar o negócio de Johnny. Sam, após terminar com Kyler, sofre bullying no colégio e é defendida por Miguel, que finalmente dá uma surra em Kyler e seus amigos. Daniel vai ao túmulo de Miyagi em busca de conselhos e vemos várias cenas do filme original (Yes!). O final faz os fãs irem às lágrimas: Daniel volta a treinar karatê com a música do final do filme original ao fundo e encerra com uma homenagem a Pat Morita! 


Episódio 6 - Quiver (Tremores)


Vemos um pouco do passado de Johnny, tanto de seu início no karatê quanto de sua relação difícil com Sid, seu padrasto. Após ter dado uma surra em Kyler, Miguel atrai novos alunos para o dojo, mas Johnny não se mostra o melhor dos professores, já que continua arrogante e preconceituoso. Já Daniel fica desesperado para conseguir um aluno e encontra Robbie, que começou a trabalhar na concessionária só para irritar seu pai, Johnny. Sam começa uma amizade com Miguel.


Episódio 7 - All Valley (Vale)


O início do epísódio é uma homenagem ao treinamento pouco ortodoxo de Daniel no filme original: tomando Robbie como seu pupilo, Daniel lhe dá uma série de tarefas para depois mostrar como aplicá-las no karatê. Seguindo os conselhos de Johnny, Miguel convida Sam para sair e a leva ao Golf n´Stuff, com direito a cabine de fotos e a mesma música do filme! Os amigos de Robbie o forçam a ajudar a roubar a loja de Daniel, mas ao lembra dos conselhos de seu sensei sobre bonsais, Robbie se recusa e mostra seu karatê. Para entrar no Torneio Regional (do qual o Cobra Kai foi banido para sempre!), Johnny faz um discurso para o conselho do torneio, do qual Daniel faz parte.


Episódio 8 - Molting (Metamorfose)


Johnny submete seus alunos a um treinamento nada ortodoxo em um ferro-velho. Daniel recebe a visita de sua mãe. Quando Johnny descobre que Miguel está namorando a filha de Daniel, ele conta sua versão da história, e quer saber? Percebemos que ele não era tão vilão assim, o que vem ao encontro de uma teoria antiga em que fãs teorizam que em Karate Kid, Daniel era o vilão e Johnny era o mocinho, teoria que ficou popular na série How I Met Your Mother. Em um treinamento ao ar livre, Daniel mostra a Robbie o chute mais poderoso do Miyagi-do. Johnny confronta seu padrasto fazendo as pazes com seu passado. O episódio termina de forma dramática.


Episódio 9 - Different but Same (Diferentes mas Iguais)


Embora o título remeta à comparação entre Daniel e Ali no filme original, aqui refere-se a Daniel e Johnny. Este vai à casa de Daniel para confrontá-lo, mas acabam saindo e bebendo juntos, percebendo que têm muito em comum. Miguel e Sam brigam. Daniel e Johnny descobrem sobre Robbie.

Episódio 10 - Mercy (Piedade)


Claro que tudo vai culminar no campeonato de karatê. A equipe de Johnny se destaca, mas um competidor de última hora aparece: Robbie. A princípio independente, logo recebe a tutela de Daniel, que sai da plateia para orientar o pupilo. Miguel assume cada vez mais o espirito Cobra Kai, o que acaba distanciando-o ainda mais de Sam. Johnny fica dividido entre seu pupilo Miguel e o filho Robbie, aluno de seu grande inimigo. E não é novidade para ninguém que a final é entre Miguel e Robbie (ou seja, Cobra Kai x Miyagi-do ou Johnny x Daniel). O episódio (e a série) encerram com dois grandes e emocionantes ganchos para a próxima temporada.

VEREDITO?

COBRA KAI foi criada com o objetivo de ser uma legítima continuação da trilogia Karate Kid, principalmente de Karate Kid - A Hora da Verdade (1984). Ao mesmo tempo que respeita os personagens e situações do filme, dá mais profundidade a eles (principalmente a Johnny). Além disso, cria uma reflexão muito interessante ao mudar a dinâmica das relações entre aluno e professor, ao colocar um garoto frágil e gentil (Miguel) para aprender o agressivo estilo Cobra Kai e um delinquente (Robbie) para iniciar seu caminho no estilo calmo e defensivo do Sr. Miyagi.
Embora tenha alguns defeitos (o principal é Tanner Buchanan, que faz Robbie), COBRA KAI foi feita para os fãs de Karate Kid e constantemente apela para a nostalgia, acertando sempre nesse sentido. Não é à toa o sucesso que conseguiu, mesmo em um canal por streaming concorrente da gigante Netflix. E se depender do final da primeira temporada, a segunda promete...

Por hoje é só! até a próxima! KIAI!

sábado, 24 de novembro de 2018

Sessão Gepeto: MEMPHIS, o Ornitorrinco Ciborgue


Na Sessão Gepeto de hoje, vamos falar sobre a que talvez seja a mais interessante action figure customizada que eu já criei. 
Na última Sessão Gepeto, mostrei duas figuras, Lobo de Prata e Mercurium, que a princípio eram dois antagonistas (para conferir, clique aqui). Depois, fiquei pensando se não seria mais interessante se eles fossem dois integrantes de uma mesma equipe, nos moldes de um Quarteto Fantástico, Vingadores ou Liga da Justiça. Na verdade, a minha ideia era mais próxima de Guardiões da Galáxia, com membros totalmente diferentes entre si a bordo de uma nave espacial. E se estamos pensando em Guardiões da Galáxia, logo vem à mente o membro mais carismático do grupo: Rocket Racoon, o guaxinim ciberneticamente modificado e pronto para a briga! 

 

Pensando em um outro pequeno animal humanóide, a minha escolha foi o meu bicho favorito, o ornitorrinco! Talvez o animal mais interessante que existe (pelo menos na minha opinião), o ornitorrinco tem corpo e cauda de castor, bico e pés de pato e hábitos de réptil, além de ser um dos únicos mamíferos que botam ovos! 

 


A ideia não é nada original, já que a cultura pop já tem alguns ornitorrincos como personagens. O mais conhecido é Perry, o ornitorrinco de estimação dos irmãos Phineas e Ferb, da série animada da Disney. Perry age como bicho de estimação comum mas na verdade é um agente secreto, com direito até a uma versão ciborgue de uma dimensão/futuro alternativa(o)! Outros ornitorrincos podem ser vistos na série de livros Platypus Police Squad, de Jarret J. Krosoczka, ainda sem publicação aqui.


Para fazer o meu personagem, usei como base um chaveiro vagabundo do Sully de Monstros S.A., cortando ao meio para utilizar somente as pernas. Peguei uma cabeça extra do Cloud Strife de Final Fantasy VII: Crisis Core (com capacete), para ser as costas do boneco. Esculpi o resto do corpo e da cauda com massa epóxi. Optei pela cor marrom no corpo e cauda, bege para o bico e vermelho e prata nas partes biônicas. Nas partes em vermelho, borrei um pouco com tinta prata para parecer riscado, com aparência de usado.

 


Para os braços, utilizei pontas de seringas descartáveis, massa epóxi e várias pecinhas plásticas que eu tinha sobrando. 

 

Fiz 3 mãos removíveis com partes de outros bonecos (uma mão de um personagem de Ben 10, lâminas do shuriken de um Predador, etc), massa epóxi e bases de agulhas descartáveis (sem as agulhas, claro), já que encaixam perfeitamente nas pontas de seringa. 


Para guardar uma das mãos, usei um bolso de um Demolidor (que acomodava sua bengala/nunchaku) e colei na lateral esquerda das costas. 


O toque final foi o olho esquerdo, onde coloquei uma espécie de mira laser feita com pecinhas plásticas e uma bolinha vermelha brilhante tirada de um adesivo para cabelo que roubei da minha filha...

 

O resultado ficou melhor do que eu esperava. Lembrou muito aquela série de bonecos do Spawn, chamada Techno Spawn, toda baseada em animais com implantes cibernéticos, incluindo um javali, um avestruz, um crocodilo, um gorila e um rinoceronte. Gosto muito desta série, tanto que tenho vários deles; só faltam o rinoceronte e o avestruz para completar a coleção.


Agora é só bolar o tradicional background do personagem: resgatado na cidade americana de Memphis, às margens do rio Mississipi (habitat não usual do animal), um ornitorrinco macho ferido é enviado ao Projeto Noé, em que o agente Lobo de Prata faz pesquisas com animais para serem usados como armas de guerra para o governo. Assim, o ornitorrinco é batizado de Memphis e ganha sofisticados implantes cibernéticos alimentados por uma unidade de inteligência artificial presa nas suas costas. 

Acrescentei ao grupo o gorila da série do Spawn citada acima e temos a ALCATEIA, uma equipe  conduzida por dezenas de países para explorar ambientes alienígenas com o objetivo de prevenir potenciais ameaças ou mapear futuras possibilidades de colonização. 
A ALCATEIA é formada por Lobo de Prata, agente governamental com uma das maiores mentes do mundo e líder do grupo; Mercurium, segundo em comando e dono de um corpo transmorfo de metal líquido; e dois membros do Projeto Noé (Boyd, gorila cibernético e especialista em incursões em ambientes hostis; e Memphis, ornitorrinco ciborgue projetado para infiltração e reconhecimento). A bordo da nave Galileu Galilei (tirei de um livro de Robert A. Heinlein), a ALCATEIA está pronta para suas missões!


Por hoje é só! Até a próxima!