sexta-feira, 14 de agosto de 2009

STAR RUNNER: uma reunião de antigos astros da Shaw Brothers




Star Runner - A Disputa Final (2003) é um filme de artes marciais que passou despercebido nas locadoras. Tem um romance bobinho e boas cenas de luta, mas a recomendação não é nem pelo filme propriamente dito. O espectador mais familiarizado com o gênero vai encontrar diversas participações especiais dos principais astros das produções da Shaw Brothers dos anos 70/80: Gordon Liu, David Chiang, Ti Lung e Chi Kuan Chun fazem pequenas aparições (com exceção de Liu, que aparece mais). Parece até uma reunião de colégio, hehehe! O diretor deve ser um tremendo fã da Shaw por reunir tantos astros num único filme (que, aliás, está longe de ser uma super-produção).
O filme em si levaria no máximo uma nota 7.0, mas pela curiosidade de ver como antigos astros da pancadaria estão hoje, vai pra 8.0!
Obs.: não lembro muito bem, mas devo ter visto mais atores conhecidos (que trabalharam com Jackie Chan, se não me engano). Quem identificá-los, comente aqui!




terça-feira, 11 de agosto de 2009

Análise: MASSACRE NO BAIRRO CHINÊS


Quando se anuncia um novo filme de Jackie Chan, seus fãs (nos quais eu me incluo) sempre aguardam ansiosamente. Com Massacre no Bairro Chinês (Shunjuku Incident, 2009) não foi diferente. Infelizmente, como a maioria dos seus filmes chineses, foi lançado diretamente em DVD (fazendo muito sucesso nas locadoras, diga-se de passagem). O título nacional é um capítulo à parte: quase todos os filmes de Jackie recebem títulos horrorosos (New Police Story virou A Hora do Acerto; Rob-B-Hood virou Três Ladrões e um Bebê; e o pior deles foi com Armour of God 2 - Operation Condor: Um Kickboxer Muito Louco!). Massacre no Bairro Chinês é uma referência a Massacre no Bairro Japonês (Showdown in Little Tokio, uma boa tradução, por sinal), um filminho B de ação com Dolph Lundgreen e o saudoso Brandon Lee... Até que o título encaixa na história de Shunjuku Incident, mas que é forçado, isso é!
Os rumores iniciais que indicavam que o longa não seria um filme "típico" de Jackie Chan se revelaram verdadeiros. É uma história dramática sobre imigrantes ilegais chineses no Japão que se envolvem em crimes para sobreviver. Jackie é Nick, um mecânico de tratores na China que resolve ir ao Japão atrás de sua namorada, que desapareceu. Chegando ilegalmente lá, foge das autoridades e busca abrigo na casa de um amigo, Joe (Daniel Wu). Nick logo se dá conta da difícil situação que seus colegas se encontram. É claro que o filme aborda um tema recorrente na filmografia chinesa, a rivalidade entre chineses e japoneses. Nick acaba se envolvendo com membros da yakuza, o que terá graves consequências.
Vários aspectos se destacam no filme. A mais notória e polêmica é a completa ausência de lutas marciais e humor! É isso mesmo, Jackie NÃO luta no filme (pelo menos não da maneira à qual estamos habituados - e viciados), assim como vários atores veteranos como Ken Lo e Yasuaki Kurata! Jackie mais uma vez representa um papel totalmente dramático, provando mais uma vez seu talento. Além disso, apesar do personagem de Jackie ser essencialmente um bom homem, as circunstâncias fazem com que ele faça coisas que, em se tratando de Jackie Chan, dificilmente imaginaríamos (ele comete diversos crimes, adere ao sexo pago, rouba e até mata a serviço da máfia japonesa! ). O personagem de Daniel Wu também passa por uma radical transformação, pois no início ele é um babaca chorão e após uma tragédia se torna um babaca delinquente (que, na minha opinião, ele sabe fazer muito bem, hehehe). Devido à temática e a algumas cenas de violência (principalmente duas cenas de mutilação), o filme foi proibido na China. A cena do flashback que mostra Jackie jovem, com menos de 20 anos, impressiona pela semelhança do ator com Jackie (parece até que utilizaram a mesma técnica de O Curioso Caso de Benjamin Button para "rejuvenescer" digitalmente o astro, embora eu ache que apenas utilizaram um ator muito parecido).
É um filme muito bom, desde que seja avaliado como um drama sobre imigrantes ilegais e seu envolvimento com o crime organizado. Repetindo, não espere grandes cenas de ação e lutas! Isto pode ser encarado como seu ponto fraco: convenhamos, quem assiste um filme de Jackie Chan espera um filme de ação, não um drama (ainda mais considerando que ele consegue conciliar os dois gêneros, como em New Police Story, Crime Story e Coração de Dragão). Entretanto, é sempre revigorante que ele tente mudar um pouco de estilo, priorizando as interpretações e a história! Se você também partilha dessa opinião, confira sem medo!
Obs.: o DVD (Califórnia Filmes) é simplesmente lamentável! É em fullscreen e dublado em português e inglês (não tem áudio original!) e não tem extras decentes, apenas ficha técnica, sinopse e trailers (um dos trailers iniciais é de B13: Ultimato, a continuação do cultuadíssimo 13o Distrito, com David Belle e Cyril Rafaeli; deve ser um filmaço).
Como eu sempre digo, como é duro ser colecionador no Brasil!

Jackie Chan e Daniel Wu, antes do envolvimento com o crime organizado.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Sessão Nostalgia: INIMIGO MEU


Na Sessão Nostalgia, comentarei filmes que assisti nos saudosos anos 80 e 90, e que marcaram minha infância e adolescência. Devo comentar vários em breve, pois acabo de encomendar uma leva de filmes antigos; quando recebê-los, eu comento. Para inaugurar a sessão, um filme de ficção que eu adoro e que só agora adquiri em DVD: Inimigo Meu.

Dirigido por Wolfgang Petersen (História sem Fim, Na Linha de Fogo, Mar em Fúria), o filme é, na verdade, uma refilmagem de Inferno no Pacífico, um filme de guerra de 1968 com Toshiro Mifune e Lee Marvin, em que dois soldados inimigos (um americano e um japonês) são confinados em uma ilha deserta durante a Segunda Guerra Mundial. Pegue a mesma história com uma roupagem de ficção científica e você tem Inimigo Meu.

No futuro, a humanidade está em guerra com uma raça alienígena, os Drac, seres humanóides mas com aparência de répteis. Após uma batalha espacial, Will Davidge (Dennis Quaid), um soldado humano, e um guerreiro drac (Louis Gosset Jr, irreconhecível sob pesada maquiagem) caem em um planeta inóspito e são obrigados a se unir para sobreviver. Da desconfiança inicial nasce uma improvável e forte amizade. Em meio aos perigos do planeta (meteoros, monstros), o drac tem um filho, Zammis (os drac são hermafroditas e engravidam espontaneamente), que é criado por Davidge. No terceiro ato do filme, Davidge tem que salvar Zammis de mineradores ilegais.
Lançado há alguns anos em DVD, contém poucos mas interessantes extras: fotos da produção, trailer e cena estendida. Ao revisitar o filme, pude concluir que ele não envelheceu, apesar de produzido em 1985! Com bons efeitos especiais e eficientes cenas de ação, Inimigo Meu é um clássico, finalmente na minha estante!

domingo, 2 de agosto de 2009

A CÂMARA 36 DE SHAOLIN


Desde que comecei a colecionar filmes de kung fu, comecei pelos óbvios, como a maioria: Bruce Lee, Jackie Chan e Jet Li. Depois, ao começar a virar um colecionador mais sério, passei a ir atrás de filmes mais desconhecidos do grande público; mais especificamente, os filmes de kung fu chineses mais antigos. E nenhum estúdio de Hong Kong se destaca mais do que a Shaw (também conhecido como Shaw Brothers), que se especializou em um sub-gênero que os especialistas costumam chamar de filme de kung fu "old school": tramas de época em que vários temas são recorrentes, como a invasão dos manchus, revoltas motivadas por ideologias políticas, vingança, sacrifício, disciplina, e claro, o templo Shaolin! Já tinha visto mais de 100 filmes da Shaw, mas até ontem ainda não havia assistido um dos mais importantes e mais imitados, justamente A Câmara 36 de Shaolin! Só consegui assistí-lo agora porque a Platina relançou-o, pois o da China Vídeo já está esgotado há anos. É a mesma cópia remasterizada e com os mesmos extras (notas de produção, fotos, trailers, poster original e documentário). Infelizmente, o documentário não está legendado, o que não seria um grande problema se este fosse em inglês, o que não é o caso! Alguém aí entende mandarim?
Dirigido pelo mestre Lau-Kar Leung (que também foi o diretor de ação, o que significa coreografias criativas e complicadíssimas), o filme foi um estrondoso sucesso de bilheteria, rendeu duas continuações e é uma aula de cinema de artes marciais. Além disso, alçou Gordon Liu ao estrelato (que inclusive foi escolhido pela Cahiers du Cinema como o maior ator de artes marciais de todos os tempos).
Hoje a história é clichê, mas na época foi inovadora. San-Te (Liu) tem sua família dizimada pelos manchus e decide se vingar. Para isso, aprende kung fu no Templo de Shaolin, nas 35 câmaras de treinamento (onde engenhosos mecanismos fortalecem determinadas partes do corpo). Após anos de treinamento, decide fundar a câmara 36 para treinar jovens para combater os manchus.
Devo confessar que após tantos filmes, o gênero old school já tinha ficado cansativo, não me empolgava mais. Mas este clássico é verdadeiramente imperdível!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Análise: NOVOS LANÇAMENTOS TAILANDESES



Acabo de assistir 3 filmes tailandeses recentes: O Último Desafio, 13 Desafios e Chocolate. Comentarei brevemente cada um deles:

O Último Desafio



É um filme de ação e comédia sobre um jovem recém-saído da prisão que trabalha em uma lanchonete com o cunhado (irmão de sua esposa falecida) e que é forçado a roubar informações de uma empresa de cartões de crédito. Ao serem perseguidos pela gangue, têm que lutar para escapar. As coreografias das lutas são um pouco diferentes da pancadaria hardcore à qual estamos acostumados, como as lutas de Tony Jaa, pois são mais parecidas com o estilo de Jackie Chan, mais desajeitadas e improvisadas, além de mais bem-humoradas. É divertido, movimentado e com algumas reviravoltas, mas não é nenhum filme de ação do calibre de Ong Bak ou O Protetor. Curiosamente, a capa mostra em primeiro plano um ator que nem parece participar do filme, pois ele não é o protagonista (o que está ao lado dele, em segundo plano, que é o ator principal)!


13 Desafios



Este filme, produzido pela mesma equipe de Ong Bak e cia, inova por não ser um filme de pancadaria: é um suspense tenso e imprevisível. Pruchit é um sujeito azarado que foi largado pela namorada, está devendo no banco e acaba de ser despedido! Ao receber uma ligação, ele tem a chance de ganhar 100 milhões (moeda local), participando de uma espécie de reality show on line: tudo o que tem que fazer é realizar os tais 13 desafios do título, todos bizarros e aparentemente relacionados com seu passado. Apesar dos furos no roteiro e do final mal-contado (apesar de inesperado), o filme prende a atenção. A curiosidade mais engraçada é que já quase no final, quando a colega de Pruchit pede o carro emprestado à irmã, esta fala com voz de homem na versão dublada em português, sendo que não parece um traveco! Estranho, não? Não consegui entender o porquê disso...
Chocolate
Este dispensa apresentações. Já comentado de maneira sucinta em um post anterior, este é um filme que entrega justamente o que se espera dele: ação e pancadaria hardcore, de dar pena dos dublês! Jeeja Yanin é a protagonista, uma garota autista filha de um membro da yakuza e de uma ex-membro da máfia tailandesa. Viciada em chocolate e dona de uma memória fotográfica, ela aprende a lutar assistindo a filmes de pancadaria (principalmente a Ong Bak, uma referência mais que explícita). Ela e seu amigo de infância acham uma caderneta com uma relação de pessoas que deviam dinheiro à sua mãe, o que vem bem a calhar quando esta fica doente e precisa custear seu caro tratamento. Eles decidem realizar as cobranças, o que justifica as cenas de luta mais insanas do ano! O clímax no restaurante japonês e na beirada de um prédio, é de cair o queixo! É impressionante como a câmera mostra os dublês caindo do prédio, batendo nos parapeitos e placas e atingindo o chão, sem cortes! Durante os créditos finais, cenas parecidas com as que aparecem nos finais dos filmes de Jackie Chan, mostrando como os atores e dublês se machucaram ao realizar as proezas. Simplesmente espetacular!
RESUMO DA SESSÃO TRIPLA: O Último Desafio e 13 Desafios são divertidos mas irregulares, embora seja louvável a tentativa dos produtores em realizar filmes diferentes das produções de pancadaria que fizeram sucesso nos últimos anos. Nesse quesito se encaixa Chocolate, que embora não inove em nada o gênero (a não ser a estréia de sua protagonista, que deve estrelar várias produções daqui pra frente), consegue superar as expectativas, entregando cenas de ação e coreografias empolgantes, mesmo pra quem já conhece o estilo de Tony Jaa e Dan Chupong. Nota 6 para os dois primeiros e 8,5 para Jeeja Yanin!

domingo, 26 de julho de 2009

Análise: O FAIXA PRETA

O Faixa Preta (Black Belt/Kuro-Obi, 2007) é um filme japonês sobre a nobre arte do karatê. Ambientado nos anos 30, conta a história de três homens, Taikan, Giryu e Choei, que treinam karatê num dojo isolado sob os ensinamentos do mestre Shibahara. Quando a polícia militar requisita a área do dojo, uma série de acontecimentos faz com que os três discípulos tomem caminhos diferentes. O destaque do filme não são as lutas, mas a filosofia da arte marcial. O mestre ensina que o karatê deve ser apenas defensivo, priorizando o uso das mãos, em detrimento dos pés. Um dos alunos desafia esta filosofia, ensinando um estilo mais agressivo, enquanto outro resolve não trair os ensinamentos do sensei. É claro que o clímax é o combate entre os dois, sendo que o vencedor receberá o direito de liderar o estilo Shibahara, simbolizado por uma surrada faixa preta do mestre.
O filme é carregado de sentimentos característicos não apenas do karatê, mas da própria filmografia japonesa, como disciplina, retidão, compromisso e respeito à tradição. Enfim, um filme muito bom! Os fãs da pancadaria tradicional podem estranhar, pois ao contrário dos filmes de kung fu e dos recentes filmes tailandeses, as lutas de O Faixa Preta são muito curtas e rápidas, às vezes finalizadas com um único e fulminante golpe! Isto não surpreende quem, como eu, já praticou algum estilo tradicional de karatê. Pelos katás (aliás, muito bem executados), parece que o estilo mostrado no filme é o Goju-ryu (o estilo que eu pratiquei), mas não tenho certeza.



O DVD nacional (Europa Filmes) não tem nenhum extra, a não ser uma versão mp4, mas a embalagem é belíssima, com luva externa e contra-capa interna. Eu recomendo - já está entre os meus favoritos!

SATISFAÇÕES PARA OS VISITANTES

Pessoal, fiquei um tempo sem postar nada porque eu estava fazendo um curso muito intensivo durante o mês de junho e julho, mas agora devo atualizar o blog de maneira mais frequente, ok? Aguardem!