segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

FINALMENTE! BOX KARATE KID!


A trilogia Karate Kid é um clássico dos anos 80 e da Sessão da Tarde. Já comentei os filmes em vários tópicos, e um dos detalhes mais interessantes é que as duas continuações já haviam sido lançadas em DVD (apesar de já estarem fora de catálogo há anos), mas o original (considerado por muitos como o melhor) nunca havia sido lançado... Até agora!
É isso mesmo! A Sony Pictures acaba de lançar o box com a trilogia completa! As versões das partes 2 e 3 são as mesmas lançadas anteriormente (sem legendas nos extras). É claro que as atenções estão voltadas para o filme original, pois é o único que permanecia inédito até agora. Os extras são todos interessantes e todos legendados: making of atual em duas partes com os atores e realizadores; documentários sobre a música, a arte do bonsai e do coreógrafo falando sobre o karatê e trailers. Além disso, todos os filmes contam com a dublagem clássica em português e o áudio em inglês, um detalhe especial no caso do primeiro filme, pois muitos nunca o assistiram com o som original. O único extra que aparentemente não tem no DVD nacional (e que tem no DVD importado) é a faixa de comentários com Ralph Macchio e Pat Morita (infelizmente no meu DVD este extra está desabilitado!).
Uma boa surpresa é a arte interna da embalagem. Além disso, o box vem com 5 cards (tamanho cartão postal) !

Parabéns à Sony Pictures por realizar um sonho antigo dos colecionadores (a única ressalva é que os filmes estão em embalagem slim).

Obs.: embora feliz com a iniciativa, fiquei com uma pontinha de tristeza... É que eu já tinha o DVDs da trilogia, garimpados com outros colecionadores (inclusive o original, com aúdio em português e com a dublagem clássica), e os tratava como raridade, um dos tesouros da minha coleção. Agora não serão mais tão raros, hehehe.
Corram, pois as pré-vendas de muitos sites já esgotaram! Uma dica: procurem nas Americanas. Kiai!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Análise: DISTRITO 9


O principal trunfo de Distrito 9 é ter como produtor ninguém menos que Peter Jackson, o diretor dos megablockbusters King Kong e O Senhor dos Anéis. Logo, espera-se que seja um filme de ficção científica de grande orçamento. Entretanto, o filme é relativamente barato (30 milhões de dólares) e é dirigido pelo novo protegido de Jackson, o estreante Neill Blomkamp. Apesar das limitações, faz bom proveito do baixo orçamento e a história tem uma abordagem interessante. Como é contado no prólogo (na forma de um documentário), a terra foi invadida por aliens, cuja enorme nave-mãe pousa (na verdade, fica imóvel no ar) em Joanesburgo, na África do Sul. Os alienígenas, logo apelidados de "camarões" são confinados em um acampamento que logo vira uma imensa favela. 20 anos depois, a nave permanece nos céus da cidade e a favela (o tal Distrito 9), como qualquer favela de uma grande cidade, virou um problema, assolada por crime, doenças e marginalidade. Os "camarões" são alvo de preconceito por parte dos cidadãos, e a analogia com o racismo e o apartheid da África do sul é tão evidente que nem se pode falar de analogia. O protagonista é Wilkus (Sharlto Copley) funcionário da MNU, empresa que controla a população alienígena, e que recebe a missão de notificar todos os aliens a respeito de sua remoção para uma área afastada da cidade, para diminuir a pressão dos humanos.

Após um acidente, Wilkus se torna um dos homens mais procurados do mundo, e sua única saída é se refugiar no lugar mais improvável: o Distrito 9. Combinando bons efeitos com cenas de ação violentas e nervosas o filme tem soluções visuais surpreendentes considerando o baixo orçamento, apesar de alguns clichês (o herói relutante que muda de lado ao ser obrigado a rever os seus conceitos, o policial violento como "chefão de fase final" e o companheiro que retorna para salvar outro). Distrito 9 termina um tanto quanto inconclusivo, com uma deixa para uma continuação (Distrito 10 já está nos planos dos produtores). Como fã de filmes de ficção científica despretensiosos mas inventivos, torço para que o boato se concretize. Até a próxima!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Análise: G. I. JOE: A ORIGEM DE COBRA


Os brinquedos favoritos da minha infância foram os Comandos em Ação, uma linha de bonequinhos com muitos equipamentos e veículos (tenho o avião até hoje, estou só esperando o meu filho de 3 anos crescer um pouquinho pra dar pra ele). Nos EUA, se chamava G.I. Joe, e inspirou uma série de gibis e desenhos animados, que também fizeram sucesso aqui. É claro que depois do sucesso de Transformers, era só uma questão de tempo até lançarem um filme baseado na unidade militar anti-terrorista que combatia a organização terrorista Cobra.

O filme conta a origem dos terroristas, do ponto de vista de dois soldados que acabam integrando os G.I.Joe, Ripcord (Marlon Wayams) e Duke (Channing Tatum). A trama é o de menos, como não poderia deixar de ser em um filme de Stephen Sommers (A Múmia, Van Helsing), em que a história é mero pretexto para cenas de ação e efeitos especiais tão exagerados que fazem do filme um imenso videogame. Aqui não é diferente, embora o roteiro seja um pouco melhor do que os dos seus filmes anteriores. Para os fãs dos brinquedos, o mais importante é verificar como ficaram os veículos e personagens. Além de Ripcord e Duke, aparecem outros clássicos como Hawk (Dennis Quaid), Scarlett (Rachel Nichols, linda), Baronesa (Sienna Miller), Storm Shadow (Byong Hun Lee) e o meu favorito, Snake Eyes (Ray Park, que fez o Darth Maul do Episódio I de Star Wars). As cenas de ação, apesar de um pouco exageradas, são muito boas. É claro que as que eu gostei mais são as que envolvem Storm Shadow e Snake Eyes, em lutas empolgantes. Quem procura um filme de ação em que se pode desligar o cérebro por duas horas ou para os saudosistas dos anos 80 (como eu), G.I.Joe: A Origem de Cobra é uma boa opção.

Algumas curiosidades para quem gostava dos brinquedos: Snake Eyes, um dos personagens mais legais dos Joes (uma espécie de ninja vestido de negro e que não fala), foi lançado como inimigo no Brasil! A primeira série de Comandos em Ação só tinha os equivalentes aos G.I.Joe americanos, sem nenhum vilão. Os Cobras, vilões "oficiais" dos Joes, só seriam lançados na série 2. Snake Eyes, por sua vez, foi lançado como Invasor (séries 1 e 2) e como Cobra Comandante Negro (série 6), este já com o lobo. O vilão Cobra de Aço é uma figura exclusiva do Brasil, feita com a cabeça do Snake Eyes prateada e o corpo do Raio Laser (Flash nos EUA). Vale lembrar que antes dos bonequinhos havia o bonecão de 12 polegadas, aqui batizado como Falcon, outro ícone dos anos 80!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

OS FILMES DE KUNG FU MAIS ESQUISITOS

Quando se assiste a um filme de kung fu, normalmente o que interessa são as lutas e cenas de ação. Quanto mais complexas, intricadas e acrobáticas, melhor. A presença de astros conhecidos ajuda, mas não é essencial. O roteiro e os diálogos, consequentemente, ficam em segundo plano (embora possam enriquecer muito um filme, como em Herói, O Clã das Adagas Voadoras, O Tigre e o Dragão e O Mestre das Armas). Entretanto, o mínimo que se espera de um roteiro de um filme de pancadaria é uma história simples que, se não ajuda, pelo menos não atrapalha as cenas de luta. Mas existem alguns filmes de luta com histórias e conceitos tão esquisitos ou malucos que não se entende nada! Vou citar alguns; quem souber de outros, comente que eu procuro mais informações, ok?


CAÇADORES DE VAMPIROS DE TSUI HARK

Já comentado levemente no post sobre vampirismo, é mais um exemplo do que eu chamo de "filmes com capas picaretas". Se você olhar a capa do DVD e ler a sinopse atrás, vai pensar que é um filmão! Ainda mais com o nome de Tsui Hark no título, apesar de ser apenas o produtor. Cá entre nós, não gosto muito dos filmes dele. Os roteiros sempre são um pouco confusos e as cenas meio rápidas demais, normalmente com cabos. Este não é exceção. A hitória é confusa e as lutas são meia-boca. Agora, o que estraga o filme é que NÃO TEM VAMPIRO! A não ser que você possa chamar de vampiro uns bonecos imóveis de mortos-vivos pendurados no teto! Você fica tão constrangido que não aguenta assitir até o final. Quem gostou do filme, por favor, justifique, pois acho impossível alguem ter gostado!


ZHANG, O BÁRBARO / O CULTO DO MAL


Lançado pela China Vídeo como Zhang, o Bárbaro e numa edição de banca como O Culto do Mal (uma tradução mais fiel ao original, The Evil Cult), o filme é baseado em uma série de livros e é estrelado por Jet Li e tem participação de Sammo Hung! Com tudo isso, não tinha como ser ruim, certo? Errado! Apesar de ser um típico wuxia (passado em um mundo à parte, onde os espadachins podem voar e têm diversos poderes) o filme é tão rápido e confuso que você não entende nada do que está acontecendo. Li é um órfão impedido de aprender kung fu devido aos efeitos de um golpe fatal. Após cair em um precipício, é curado e treinado por um mestre amarrado a uma pedra! Vários personagens aparecem e desaparecem sem maiores explicações e o filme acaba de maneira abrupta e inconclusiva (provavelmente por ser o primeiro de uma série, mas como não fez sucesso, parou por aí). Colecionadores e fãs de Jet Li podem conferir, mas depois não digam que eu não avisei!



A CHAMA SAGRADA DO KUNG FU


Um dos filmes mais malucos que eu já vi, conta a história de um casal de irmãos separados ao nascer. seus pais morreram ao enfrentar um casal de bandidos. A menina é criada pelos bandidos e o rapaz é criado por um ancião conhecido como o Fantasma (Philip Kwok, pagando mico), cujo golpe de kung fu é uma risada fatal! É isso mesmo, quem houve tem seus órgãos vitais explodidos! A técnica de defesa é ainda mais bizarra: o herói consegue "fechar" os ouvidos! Os dois irmãos se encontram e se enfrentam, disputando uma arma, a tal "Chama Sagrada" do título. Todo mundo voa, aparecem umas luzinhas toscas simbolizando sei lá o quê e no final os irmãos se unem para enfrentar os bandidos! Uma maluquice inacreditável!

sábado, 7 de novembro de 2009

Análise: STAR TREK


Quando o diretor e produtor J.J. Abrams ( a mente por trás de Fringe, Lost, Cloverfield e Missão Impossível III) assumiu o comando do novo filme da franquia Star Trek (Jornada nas Estrelas), trekkers do mundo inteiro ficaram ao mesmo tempo entusiasmados e apreensivos. Ao mesmo tempo em que o diretor tinha o "fator nerd" necessário para assumir a tarefa, será que ele conseguiria fazer uma abordagem boa o suficiente para agradar tanto a trekkers quanto ao público em geral?


O primeiro acerto de Abrams foi seguir a tendência mundial do cinemão americano: reinventar o ícone. Assim como em Cassino Royale, Agente 86 e Batman Begins, o foco da história é a origem dos personagens clássicos. Ou seja, mostrar Kirk, Spock, McCoy, Sulu, Uhura, Scotty e Chekov como cadetes novatos, em sua primeira missão na Enterprise.
A escolha do elenco também foi inspirada. Nada de astros conhecidos, mas todos talentosos e com algo a contribuir para a reinterpretação de personagens cultuados há mais de 30 anos. Uma das primeiras aquisições foi Zachary Quinto (o vilão Sylar de Heroes) como Spock. Já para o papel de James T. Kirk a escolha foi mais demorada. Não deixou de causar surpresa a escalação de Chris Pine (o par romântico de Anne Hattaway em O Diário da Princesa 2 e Lindsay Lohan em Sorte no Amor) para o papel do protagonista, mas é inegável que tanto ele como todos os outros estão perfeitos nos papéis. Para o papel de McCoy, o médico ranzinza que é o melhor amigo de Kirk, a surpresa foi a escolha de Karl Urban, mais conhecido como herói anabolizado de filmes como Doom, Desbravadores e O Senhor dos Anéis, mas que faz um excelente trabalho. Zoe Saldana, que coincidentemente fez o papel de uma trekker em O Terminal, faz uma Uhura deliciosa. Simon Pegg, Anton Yelchin e John Cho conseguem equilibrar humor com seriedade nos papéis de Scotty, Chekov e Sulu, respectivamente.
O filme já começa eletrizante, com uma batalha entre uma nave da Federação, a USS Kelvin (onde estão a bordo os pais de Kirk) e uma gigantesca nave romulana, comandada por Nero (interpretado por Eric Bana, talvez o nome mais conhecido do elenco, embora irreconhecível sob a maquiagem). Testemunhamos o nascimento de Kirk e um pouco de sua rebeldia adolescente, e acompanhamos a luta do pequeno Spock para ser aceito apesar de ser metade humano. Ambos estão em busca de sua identidade e de seu lugar no mundo e acabam se alistando na Frota Estelar. Kirk logo faz amizade com Leonard McCoy e flerta, em vão, com Uhura. Após 3 anos, uma ameaça ao planeta Volcano faz com que os cadetes embarquem em sua primeira missão a bordo da mais nova nave da Federação, a USS Enterprise, sob o comando do capitão Christopher Pike (Bruce Greenwood). Tanto Kirk quanto McCoy, Uhura, Sulu e Chekov são inexperientes, e ainda não desempenham suas funções do modo com o qual o público está acostumado.
Spock já é um brilhante comandante (embora em constante luta com seus sentimentos humanos), e logo bate de frente com Kirk (carregado de energia e rebeldia pós-adolescente). A relação dos dois sempre foi um dos alicerces da série clássica, e o choque entre as duas personalidades dá o tom do filme, como o fazia na série clássica.
Star Trek equilibra referências da franquia (a mais explícita é ninguém menos que Leonard Nimoy adivinhe no papel de quem) com cenas de ação impressionantes. A minha cena favorita é quando Kirk e Sulu saltam de uma nave e, em queda livre, têm de acionar seus paraquedas e pousar em uma plataforma que está perfurando o planeta Volcano. Lá, eles enfrentam dois romulanos (Sulu armado com uma espada e Kirk golpeando com seu capacete), em uma cena de pancadaria nunca vista nem na TV, nem no cinema!
Resumindo, Abrams fez direitinho a lição de casa, o que resultou em um filme que agrada a gregos e troianos (ou seja, trekkers e gente comum). Eu mesmo nunca fui fanático pela franquia (embora um dos meus filmes favoritos seja Star Trek: Primeiro Contato), mas se os rumores estiverem certos e este for o primeiro de uma nova franquia (o filme foi o que mais faturou de todos), o próximo filme já está na minha lista!
O DVD traz faixa de comentários, making of e erros de gravação. Nada demais, mas o filme em si já é imperdível!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O VAMPIRISMO NOS DIFERENTES GÊNEROS - Terror, Ficção, Comédia, Romance e até Artes Marciais!


As lendas dos vampiros são uma grande fonte de inspiração para o cinema. É claro que o gênero mais comum para os mortos-vivos sugadores de sangue é o terror, mas praticamente todos os outros já beberam na fonte.
A principal referência é o romance Drácula, de Bram Stoker. Escrito em 1897 e baseado em um personagem real (o príncipe Vlad, "o empalador", que unificou a Romênia expulsando os turcos), o livro consolidou a imagem do vampiro que se tornou o padrão para todas as histórias posteriores sobre o tema (elementos de sexualidade e sedução, paradoxalmente vinculados com morte e peste). O primeiro filme baseado na lenda foi o clássico Nosferatu, de 1922 (o diretor F.W.Murnau mudou o nome para não pagar os direitos autorais a Stoker) em que o protagonista (Max Schreck) assemelha-se a um roedor, caracterização também adotada na refilmagem de 1979 (com Klaus Kinski). O filme London After Midnight (1927) codificou a imagem do vampiro, com a indefectível capa preta. Mas foi com Drácula (1931), dirigido por Ted Browning, que a figura clássica do conde vampiro ficou eternizada na caracterização de Bela Lugosi, que repetiu o papel em vários filmes posteriores. Na década de 1950, a produtora Hammer dissemina o personagem como um vilão tradicional (com enfâse na violência, na sensualidade e na angústia interior), sob a figura de Christopher Lee, que não raro, era antagonizado por outro célebre personagem do livro de Stoker, o Dr. Abraham Van Helsing (este, por sua vez, imortalizado por Peter Cushing). Nas décadas seguintes o tom era mais cômico, como nos programas de TV Os Monstros e Don Drácula e, no cinema, A Dança dos Vampiros (1967), Rock Horror Picture Show (1975) e Amor à Primeira Mordida (1979). Drácula, de 1979, é mais fiel ao romance, mas os anos 80 caracterizam-se por apresentarem versões mais jovens e modernas, como em A Hora do Espanto (1985) e Garotos Perdidos (1987), despertando o interesse da geração MTV. Mais recentemente, filmes com vampiro procuraram priorizar a ação e os efeitos especiais, como em Vampiros de John Carpenter (1998), Drácula 2000 (este reinterpretou a lenda, revelando como a origem do conde ninguém menos que Cain!), Entrevista com o Vampiro (1994), baseado em um dos livros de Anne Rice, e a série de TV Buffy. A versão mais romântica e fiel do livro é o espetacular filme de Francis Ford Coppola, Drácula de Bram Stoker (1992), resgatando a personalidade sedutora, apaixonada e atormentada do vampiro (em uma magistral performance de Gary Oldman). Atualmente, esta é a versão mais propagada, graças ao sucesso da escritora Stephenie Meyer, da saga Crepúsculo (que já iniciou uma bem-sucedida carreira no cinema) e da série de TV True Blood, ambos apresentando vampiros apaixonados em uma constante dúvida entre preservar a pessoa amada e abraçar sua natureza vampírica.

Além do terror, da comédia e do romance, outros gêneros abordam o tema do vampirismo. Na ficção científica, os vampiros significam um perigo para a integridade da espécie humana inteira, mas aparecem mais como zumbis, como em Força Sinistra (1985) e Eu Sou a Lenda (2007).
Os dentuços estão até em filmes de ação desenfreada e estética de quadrinhos, como Van Helsing (2003) e a série Blade (esta realmente saída das histórias em quadrinhos).



Até o nosso gênero favorito, os filmes de kung fu, têm os seus exemplos: A Liga Contra o Mal (um caça-níqueis fraquinho, apesar da participação de Jackie Chan) e Caçadores de Vampiros de Tsui Hark. Este último é inacreditável de tão ruim! Apesar de algumas coreografias interessantes, o roteiro é incrivelmente confuso (cá entre nós, como em todas as produções de Tsui Hark) e os vampiros se resumem a bonecos pendurados no teto! É de gargalhar (pena que não é comédia)...


Enfim, seja no gênero em que foi consagrado (o terror), seja em gêneros aparentemente distintos (comédia, romance, ficção e até nossos adorados filmes de kung fu), a verdade é que os vampiros sempre estão em evidência no cinema.
A propósito (ainda que um pouco atrasado), feliz Halloween!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A MORTE EM MINHAS MÃOS: O PRIMEIRO FILME DE KUNG FU!


Até os anos 70, quando se falava em filmes de kung fu, o gênero oficial era o que denominamos hoje de wuxia, histórias passadas em um mundo à parte, em que espadachins lutavam entre si e, não raro, até voavam! As lutas de espadas eram coreografadas como uma dança, tendo como a maior referência o filme O Grande Mestre Beberrão (1966), de King Hu. Um dos grandes astros de artes marciais daquela época (leia-se, dos estúdios Shaw Brothers) era Jimmy Wang Yu (creditado muitas vezes apenas como Wang Yu), que fez grandes clássicos, como Temple of the Red Lotus (1965) One-Armed Swordsman (1967) e Golden Swallow (1968). Ele foi o antecessor de Bruce Lee, cujo legado dominaria a década seguinte. Em 1970, Wang Yu estrelou e dirigiu o que é considerado o primeiro filme de kung fu como o conhecemos hoje, A Morte em Minhas Mãos (The Chinese Boxer).

Wang Yu é Lei Ming, criado desde criança pelo mestre de uma escola de kung fu. Logo no início, a escola é desafiada, mostrando um dos temas favoritos de Wang Yu (e, consequentemente, de quase todos os filmes do gênero posteriores), a rivalidade entre chineses e japoneses. Um mestre japonês de judô (Chao Hsiung), derrota vários alunos da escola, até que o mestre aparece e o derrota. Sedento por uma revanche, o japonês promete voltar com um grupo de karatecas. O mestre fica preocupado, dizendo aos alunos o quão perigoso é o karatê, e explica que a únca forma de derrotá-lo é unindo duas técnicas de kung fu, a palma de ferro e o salto iluminado. Logo o grupo de karatecas aparece, liderados pelo perigoso Kita (o grande Lo Lieh, um dos vilões mais requisitados da Shaw), que mata o mestre e quase todos os alunos, com exceção de Lei Ming, é claro. Com a ajuda de Siu Ling, a filha do mestre e sua noiva, ele se recupera e treina as técnicas mencionadas pelo mestre, planejando se vingar. Mascarado, ele sabota os cassinos dos vilões, e derrota seus cobradores de dívidas. Não demora para ele enfrentar os japoneses, incluindo lutadores de kendô, o mestre de judô e claro, o vilão Kita no clímax do filme.

A Morte em Minhas Mãos apresentou várias características que se tornariam padrão no gênero, como a trama de vingança, os japoneses como vilões, lutas demoradas e contra vários oponentes (ainda um pouco lentas aqui), saltos impossíveis, e principalmente o treinamento, sempre rápido e filmado de maneira simples mas que possibilita ao herói derrotar todos os vilões! Enfim, um clássico, devidamente lançado há alguns anos pela China Vídeo com a qualidade que merece (remasterizado, widescreen e com extras)!