quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Análise: BESOURO


BESOURO foi um filme muito comentado no ano passado. Desde que o trailer começou a ser divulgado, os fãs de filmes de luta se entusiasmaram.. Aparentemente, o cinema brasileiro tinha tudo para fazer o que a indústria cinematográfica chinesa fez com o seu gênero wuxia: filmes de ação em que a arte marcial (no caso, o kung fu) se mistura com elementos mágicos baseados na cultura chinesa. No caso de BESOURO, a história de um dos maiores capoeiristas da história do Brasil mescla a genuína arte marcial brasileira, a capoeira, com o misticismo baiano. Para completar, as cenas de luta foram coreografadas por Dee Dee, um dos coreógrafos de Matrix e O Tigre e o Dragão!


Entretanto, após o lançamento, a crítica torceu o nariz. Agora, com o lançamento em DVD, pode-se fazer uma análise mais profunda. Este foi o trabalho de estréia do diretor João Daniel Tikhomiroff (embora seja um experiente diretor de filmes plublicitários), e isso fica evidente na direção inexperiente, apesar do apuro visual. Um dos principais pontos fracos do filme é o elenco. Ao optar por escalar autênticos capoeiristas (sem experiência artística) para o trio de protagonistas ao invés de atores experientes, o diretor sacrificou a profundidade emocional exigida. As cenas de luta são bem coreografadas, apesar de escassas, na minha opinião. O roteiro também é mero pretexto para as cenas de luta e a belíssima fotografia. Apesar de Besouro ter realmente existido, o diretor se baseou nas lendas, não na história real. No Recôncavo Baiano dos anos 20, os negros, apesar de numerosos e teoricamente livres, ainda são tratados como escravos pelo latifundiário da região, o coronel Venâncio e seus capangas, liderados pelo sádico e racista Noca de Antônia. A população negra está cada vez mais intolerante, graças à liderança de Mestre Alípio, que, jurado de morte, é protegido pelos inúmeros capoeiristas que formou, entre eles Besouro, um de seus principais discípulos. Devido a um descuido de Besouro, Mestre Alípio é assassinado pelos capangas do coronel. Tomado pela culpa, Besouro se refugia na floresta e, guiado pelo espírito de Mestre Alípio, é abençoado pelos orixás, que o deixam com o "corpo fechado". A partir daí, Besouro passa a ser o principal inimigo do coronel Venâncio, mas seus capangas o perseguem sem êxito, alegando que "ele voa".
Apesar do resultado irregular, há de se destacar a coragem do diretor, ao apostar em um gênero tão incomum para os padrões brasileiros. Só o fato de investir em um filme de fantasia e lutas já é motivo de alegria para nós, que adoramos filme de pancadaria.

O DVD tem vários documentários interessantes, apesar de curtos, detalhando vários aspectos do filme, incluindo o preparo dos atores, a trilha sonora, a fotografia, a coreografia das lutas, além do making of propriamente dito. Eu, particularmente, gostei do filme! Que venham outros do gênero!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Análise: AVATAR


Quem acompanha o blog sabe que eu sou um grande fã do diretor James Cameron. Adepto do lema "o que importa é a qualidade, não a quantidade", Cameron dirigiu apenas 8 filmes em 3 décadas, mas todos (com exceção do primeiro, o infame Piranha 2) são produções inovadoras e bem sucedidas, todos na minha lista de favoritos. A expectativa em relação a Avatar era muito alta, não só para mim como para o resto do mundo. Afinal, já faz 12 anos que Cameron conquistou o mundo com Titanic, ainda hoje o recordista de bilheteria e premiações no Oscar (ao lado de Ben-Hur e O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, todos com 11 estatuetas), e o diretor nunca escondeu que este seria o seu filme mais ambicioso. O que não é novidade, pois a sua grande característica é a inovação: Cameron imagina filmes imposíveis tecnicamente e cria a tecnologia para viabilizá-los. Foi assim com O Segredo do Abismo (com suas inéditas cenas submarinas e o pioneiro tentáculo digital de água), o Exterminador do Futuro 2 (os incríveis efeitos do T-1000) e Titanic (o navio foi totalmente recriado digitalmente). Com Avatar, entretanto, Cameron extrapolou: ele simplesmente idealizou um mundo inteiramente novo com riqueza de detalhes, em que o espectador pudesse vizualizar tudo da maneira ideal, ou seja, em 3 dimensões.
Agora, após conferir o filme na telona (da melhor maneira possível, em uma sala 3D), posso dizer que a espera valeu a pena. Avatar é o seu melhor filme, e a experiência de assistí-lo em 3 dimensões é indescritível. O filme conta a história de Jake Sully (Sam Worthington), um fuzileiro paraplégico em uma missão no inóspito e deslumbrante planeta Pandora. Suas florestas são habitadas por uma diversidade predominantemente hostil de animais e plantas, e o povo dominante chama-se Na´vi (humanóides azuis de 3 metros de altura, com aspecto felino e esguio). O seu povoado (uma gigantesca árvore) localiza-se sobre uma imensa jazida de um minério muito precioso. A companhia responsável pela sua obtenção tenta uma saída diplomática, por meio da pesquisadora interpretada por Sigorney Weaver, que desenvolveu um meio de os humanos interagirem com os nativos. Como o ar de Pandora é tóxico para nós, as mentes de alguns pesquisadores podem ser transportadas temporariamente para avatares, corpos criados a partir de DNA humano e Na´vi, a fim de interagirem e estudarem os alienígenas de perto. Como os Na´vi têm dificuldade de assimilar nossa cultura (apesar de alguns terem aprendido noso idioma), a companhia está na iminência de removê-los à força, contratando um exército de militares liderados pelo coronel Quaritch (o grande vilão do filme). Jake é a última tentativa diplomática de diálogo com os Na´vi. Um avatar disponível foi desenvolvido para seu irmão gêmeo, e com sua morte Jake é o candidato ideal, que aceita a missão com a condição de poder andar novamente. É claro que Jake consegue se infiltrar no povo Na´vi, deslumbra-se com a natureza do planeta (onde os nativos podem experimentar uma curiosa simbiose com praticamente todos os animais e plantas) e apaixona-se por uma nativa (Zoe Saldana).
A trama é simples, deixando espaço para o verdadeiro destaque do filme, as imagens arrasadoras, com destaque para as montanhas suspensas de Pandora, as florestas ricas em detalhes (a flora e a fauna são retratadas com um detalhismo e realismo impressionantes), o voo sobre as criaturas aladas e claro, o clímax. É fácil identificar os elementos comuns de toda a filmografia de Cameron, como a presença de personagens femininas fortes, uma história de amor como plano de fundo, a presença militar quase sempre como vilã, uma sempre complicada relação entre tecnologia e natureza, efeitos inovadores e vertiginosas cenas de ação.



Se com Titanic James Cameron se tornou "o rei do mundo" (como declarou no Oscar), agora ele é o deus de seu próprio universo. E o futuro promete: o diretor já deixou claro a intenção de uma continuação ainda melhor! Será possível? Espero que sim!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Análise: LUTADOR DE RUA


Em primeiro lugar, feliz 2010 para todos!

Para o primeiro post do ano, vamos comentar um filme que foi lançado recentemente em DVD e que é razoavelmente desconhecido. Lutador de Rua (Blood and Bone, 2009) é estrelado por Michael Jai White, mais conhecido como o protagonista do filme Spawn, e que também estrelou outro ótimo filme que passou despercebido, O Lutador (Undisputed 2).

White é Isaiah Bone, ex-presidiário que entra no circuito de lutas de rua com um objetivo desconhecido, que será desvendado ao longo do filme. Logo de início ele se revela um lutador casca-grossa, trucidando os mais diversos adversários, sempre de maneira rápida e arrasadora. As lutas são muito boas, embora rápidas. A exemplo de Steven Seagal, Michel Jai White nunca tem um adversário à altura, mesmo na luta final com o lutador campeão de James, chefão principal do crime local e alvo da vingança de Bone. O ponto alto do filme são as diversas técnicas utilizadas, desde karate, kung fu e muay thai até golpes de jiu-jitsu. Mais que recomendado!

sábado, 12 de dezembro de 2009

RECEITA DO COZIDO DO MESTRE YODA

"Paciência! Para o Jedi também hora de comer é. Coma, coma. Quente... Comida boa, não? Boa, hmmm" - Mestre Yoda
Para variar, ao invés de comentários e resenhas de filmes, DVDs, games e quadrinhos, que tal uma receita? É, eu sei que provavelmente a maioria das pessoas que acessam este blog não sabe nem fritar um ovo (desculpem se estou errado), mas a receita é tão curiosa que vale a pena divulgar, e não deixa de ter a ver com os assuntos do blog.
Em O Império Contra-Ataca, o velho mestre jedi Yoda prepara um cozido ao seu futuro aprendiz, Luke Skywalker. Na época do lançamento do filme, no distante ano de 1983, o chef e crítico culinário Craig Claiborne (1920-2000) foi convidado pela Lucasfilm para recriar, com ingredientes terráqueos, o prato. O site Omelete traduziu a receita (divulgada no site oficial de Star Wars e adaptado com ingredientes do Brasil), que reproduzo aqui. Quem quer tentar?
Ingredientes (serve oito porções)
· 1,5 quilo de carne de cordeiro sem gordura (ou outro tipo de carne)
· Sal a gosto
· Pimenta do reino moída na hora (a gosto)
· 6 colheres de sopa de óleo vegetal
· 6 xícaras de salsinha picada
· 3 xícaras de cebolas cortadas bem finas
· 1 colher de sopa de alho cortado bem fino
· 2 colheres de chá de coentro
· 2 colheres de chá de cominho
· 1 colher de chá de curcuma
· 2 colheres de sopa de gengibre moído
· 1 colher de chá de pimenta chili picada
· 1/4 de colher de chá de cardamomo
· 1/4 de colher de chá de canela em pó
· 1 folha de louro
· 1,5 quilo de espinafre limpo

Modo de preparo
1. Corte a carne em cubos com 2,5 centímetros e adicione sal e pimenta.
2. Aqueça metade do óleo em uma frigideira e adicione a carne, dourando todos os lados.
3. Aqueça o óleo restante em uma panela funda e coloque a salsinha, cebolas e alho. Cozinhe e mexa bem, até que as cebolas estejam refogadas. Junte a carne, o coentro, o cominho, a curcuma, o gengibre, a pimenta, o cardamomo e a canela a folha de louro. Experimente e adicione sal e pimenta a gosto. Mexa.
4. Adicione água para cobrir a mistura, ferva e tampe a panela. Deixe cozinhando por duas horas ou duas horas e meia, até que a carne fique macia.
5. Enquanto isso, coloque o espinafre em uma panela com água fervente com sal e deixe durante cinco minutos. Retire e seque, passando a seguir na água fria. Seque totalmente.
6. Aperte as folhas para remover todo o líquido em excesso. Pique em uma tábua. Com o cozido pronto, adicione o espinafre e misture. Deixe descansando durante cinco minutos e sirva.

A propósito, eu nunca tentei fazer este prato. Cá entre nós, cordeiro com espinafre ninguém merece, né? Mas como nunca comi, não sei dizer se é bom. Se alguém se dispuser a fazer, comente! Bom apetite e que a força esteja com vocês!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

FINALMENTE! BOX KARATE KID!


A trilogia Karate Kid é um clássico dos anos 80 e da Sessão da Tarde. Já comentei os filmes em vários tópicos, e um dos detalhes mais interessantes é que as duas continuações já haviam sido lançadas em DVD (apesar de já estarem fora de catálogo há anos), mas o original (considerado por muitos como o melhor) nunca havia sido lançado... Até agora!
É isso mesmo! A Sony Pictures acaba de lançar o box com a trilogia completa! As versões das partes 2 e 3 são as mesmas lançadas anteriormente (sem legendas nos extras). É claro que as atenções estão voltadas para o filme original, pois é o único que permanecia inédito até agora. Os extras são todos interessantes e todos legendados: making of atual em duas partes com os atores e realizadores; documentários sobre a música, a arte do bonsai e do coreógrafo falando sobre o karatê e trailers. Além disso, todos os filmes contam com a dublagem clássica em português e o áudio em inglês, um detalhe especial no caso do primeiro filme, pois muitos nunca o assistiram com o som original. O único extra que aparentemente não tem no DVD nacional (e que tem no DVD importado) é a faixa de comentários com Ralph Macchio e Pat Morita (infelizmente no meu DVD este extra está desabilitado!).
Uma boa surpresa é a arte interna da embalagem. Além disso, o box vem com 5 cards (tamanho cartão postal) !

Parabéns à Sony Pictures por realizar um sonho antigo dos colecionadores (a única ressalva é que os filmes estão em embalagem slim).

Obs.: embora feliz com a iniciativa, fiquei com uma pontinha de tristeza... É que eu já tinha o DVDs da trilogia, garimpados com outros colecionadores (inclusive o original, com aúdio em português e com a dublagem clássica), e os tratava como raridade, um dos tesouros da minha coleção. Agora não serão mais tão raros, hehehe.
Corram, pois as pré-vendas de muitos sites já esgotaram! Uma dica: procurem nas Americanas. Kiai!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Análise: DISTRITO 9


O principal trunfo de Distrito 9 é ter como produtor ninguém menos que Peter Jackson, o diretor dos megablockbusters King Kong e O Senhor dos Anéis. Logo, espera-se que seja um filme de ficção científica de grande orçamento. Entretanto, o filme é relativamente barato (30 milhões de dólares) e é dirigido pelo novo protegido de Jackson, o estreante Neill Blomkamp. Apesar das limitações, faz bom proveito do baixo orçamento e a história tem uma abordagem interessante. Como é contado no prólogo (na forma de um documentário), a terra foi invadida por aliens, cuja enorme nave-mãe pousa (na verdade, fica imóvel no ar) em Joanesburgo, na África do Sul. Os alienígenas, logo apelidados de "camarões" são confinados em um acampamento que logo vira uma imensa favela. 20 anos depois, a nave permanece nos céus da cidade e a favela (o tal Distrito 9), como qualquer favela de uma grande cidade, virou um problema, assolada por crime, doenças e marginalidade. Os "camarões" são alvo de preconceito por parte dos cidadãos, e a analogia com o racismo e o apartheid da África do sul é tão evidente que nem se pode falar de analogia. O protagonista é Wilkus (Sharlto Copley) funcionário da MNU, empresa que controla a população alienígena, e que recebe a missão de notificar todos os aliens a respeito de sua remoção para uma área afastada da cidade, para diminuir a pressão dos humanos.

Após um acidente, Wilkus se torna um dos homens mais procurados do mundo, e sua única saída é se refugiar no lugar mais improvável: o Distrito 9. Combinando bons efeitos com cenas de ação violentas e nervosas o filme tem soluções visuais surpreendentes considerando o baixo orçamento, apesar de alguns clichês (o herói relutante que muda de lado ao ser obrigado a rever os seus conceitos, o policial violento como "chefão de fase final" e o companheiro que retorna para salvar outro). Distrito 9 termina um tanto quanto inconclusivo, com uma deixa para uma continuação (Distrito 10 já está nos planos dos produtores). Como fã de filmes de ficção científica despretensiosos mas inventivos, torço para que o boato se concretize. Até a próxima!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Análise: G. I. JOE: A ORIGEM DE COBRA


Os brinquedos favoritos da minha infância foram os Comandos em Ação, uma linha de bonequinhos com muitos equipamentos e veículos (tenho o avião até hoje, estou só esperando o meu filho de 3 anos crescer um pouquinho pra dar pra ele). Nos EUA, se chamava G.I. Joe, e inspirou uma série de gibis e desenhos animados, que também fizeram sucesso aqui. É claro que depois do sucesso de Transformers, era só uma questão de tempo até lançarem um filme baseado na unidade militar anti-terrorista que combatia a organização terrorista Cobra.

O filme conta a origem dos terroristas, do ponto de vista de dois soldados que acabam integrando os G.I.Joe, Ripcord (Marlon Wayams) e Duke (Channing Tatum). A trama é o de menos, como não poderia deixar de ser em um filme de Stephen Sommers (A Múmia, Van Helsing), em que a história é mero pretexto para cenas de ação e efeitos especiais tão exagerados que fazem do filme um imenso videogame. Aqui não é diferente, embora o roteiro seja um pouco melhor do que os dos seus filmes anteriores. Para os fãs dos brinquedos, o mais importante é verificar como ficaram os veículos e personagens. Além de Ripcord e Duke, aparecem outros clássicos como Hawk (Dennis Quaid), Scarlett (Rachel Nichols, linda), Baronesa (Sienna Miller), Storm Shadow (Byong Hun Lee) e o meu favorito, Snake Eyes (Ray Park, que fez o Darth Maul do Episódio I de Star Wars). As cenas de ação, apesar de um pouco exageradas, são muito boas. É claro que as que eu gostei mais são as que envolvem Storm Shadow e Snake Eyes, em lutas empolgantes. Quem procura um filme de ação em que se pode desligar o cérebro por duas horas ou para os saudosistas dos anos 80 (como eu), G.I.Joe: A Origem de Cobra é uma boa opção.

Algumas curiosidades para quem gostava dos brinquedos: Snake Eyes, um dos personagens mais legais dos Joes (uma espécie de ninja vestido de negro e que não fala), foi lançado como inimigo no Brasil! A primeira série de Comandos em Ação só tinha os equivalentes aos G.I.Joe americanos, sem nenhum vilão. Os Cobras, vilões "oficiais" dos Joes, só seriam lançados na série 2. Snake Eyes, por sua vez, foi lançado como Invasor (séries 1 e 2) e como Cobra Comandante Negro (série 6), este já com o lobo. O vilão Cobra de Aço é uma figura exclusiva do Brasil, feita com a cabeça do Snake Eyes prateada e o corpo do Raio Laser (Flash nos EUA). Vale lembrar que antes dos bonequinhos havia o bonecão de 12 polegadas, aqui batizado como Falcon, outro ícone dos anos 80!