terça-feira, 31 de agosto de 2010

Análise: KARATE KID



Com certeza um dos filmes mais aguardados deste ano, Karate Kid é o remake de um dos mais queridos filmes dos anos 80, objeto de muitos posts deste blog. Se já é complicado refilmar um filme que está na memória afetiva de toda uma geração, os produtores (incluindo Will Smith, atualmente o maior astro americano) resolveram mexer ainda mais no vespeiro, já que modificaram várias coisas do original. Uma das principais alterações foi mudar o cenário. Trocar os Estados Unidos por Pequim foi uma mudança até lógica, por conta da globalização. Afinal, a China já é a segunda economia do mundo e, portanto, um valioso mercado a ser explorado. Para a escolha do mestre, a boa surpresa foi a escalação de Jackie Chan, o que já indicava que o karate daria lugar ao kung fu.

A mudança mais radical foi a do protagonista. Em um ataque de nepotismo descarado, Will Smith escalou o próprio filho, Jaden Smith, para o papel principal. Confesso que fiquei um pouco chateado quando soube. Além de Jaden só ter interpretado moleques pentelhos (em À Procura da Felicidade e O Dia Em Que A Terra Parou), eu o achava muito jovem (11 anos na época) e fracote para o papel. Após conferir o filme, devo admitir que ele herdou o carisma e o talento do pai, com seu jeito malandro e bem-humorado (e, como ele treina karate desde os 3 anos, até que se sai bem nas lutas).

Jaden é Dre Parker, que muda com a mãe de Detroit para Pequim. No primeiro dia, ele se engraça com Mei Ying (que parece ter uns dois anos a mais que ele). Infelizmente, ele também ganha a antipatia de Cheng, um valentão muito habilidoso no kung fu, que lhe dá uma surra (Dre sabe um pouco de karate, o que se revela inútil). O enredo segue de perto o original, intercalando a amizade de Dre e Mei Ying e as encrencas com Cheng e seus amigos. Quando o zelador do prédio de Dre, sr. Han (Jackie, em uma interpretação surpreendentemente contida e triste, o que será explicado no decorrer do filme), intervém, se revela um mestre do kung fu. Ao tentar conversar com o severo mestre de Cheng, o sr. Han decide treinar Dre para um torneio de kung fu, onde o menino terá de enfrentar os seus algozes.


O treinamento de Dre é pouco convencional, mas não emula os ensinamentos do sr. Miyagi do original, que ensinava Daniel-san com trabalhos domésticos (a principal lição de Dre consiste em tirar e por o seu casaco). Os treinamentos também acontecem em um improvável mas deslumbrante cenário, a Muralha da China.

O torneio é o clímax do filme. Como era de se esperar, as lutas melhoraram muito em relação ao filme original. As coreografias estão bem mais rápidas, fazendo um bom uso de câmera lenta. Claro que a final é entre Dre e Cheng. Pelo menos o golpe final não é o hoje constrangedor "chute da garça". Observada por Dre num templo, a técnica envolve uma espécie de "hipnose da cobra" seguida de uma manobra acrobática muito legal (essa os meninos não vão conseguir imitar, como minha geração tentou fazer com o chute da garça, hehehe).
As referências ao filme original não são muitas, mas existem. A primeira é uma piada com a técnica do sr. Miyagi para pegar moscas (usando dois pauzinhos). Depois vemos o sr. Han encerando o carro, mas não faz o pupilo ajudá-lo. O resto são novas versões de cenas do original, com diversas variações.
Uma última curiosidade é em relação ao título. Como Dre pode ser o "karate kid" se ele luta kung fu? Para manter a relação com o bem-sucedido filme original, os produtores decidiram preservar o título. Nos trailers internacionais, aparece uma cena com Cheng humilhando Dre ao chamá-lo de karate kid, cena que não faz parte do filme. Outra explicação poderia ser essa: quando Bruce Lee começou a fazer sucesso, qualquer arte marcial desarmada (inclusive o kung fu) era chamada de karate. De qualquer modo, no mercado asiático o filme foi lançado como Kung Fu Kid.
Quem gosta do Karate Kid com Daniel-san e sr. Miyagi, também vai aprovar este aqui. Se vai se tornar um clássico como seu antecessor? Só o tempo dirá...

domingo, 22 de agosto de 2010

AS MINHAS CENAS DE LUTA FAVORITAS

Embora o conteúdo do blog envolva os mais diversos assuntos, os tópicos que predominam são definitivamente sobre filmes de artes marciais. Neste gênero, o que menos importa é a história; o foco principal concentra-se nas cenas de ação e nas lutas. Aqui enumerarei as minhas cenas de luta favoritas (incrível como nunca tinha pensado nisso antes!)... Como em qualquer lista, a relação não é definitiva, podendo mudar futuramente. Posso ter esquecido de algum filme, ou você pode achar que algum da lista não mereça ter entrado. O critério de escolha varia; nem sempre tem a ver com a coreografia mais criativa ou frenética (algumas razões são puramente afetivas). Atenção: como muitas lutas fazem parte do clímax de vários filmes, podem conter spoilers, ok? Vamos à lista?

KING KONG (2005): Kong x Tiranossauro(s)
Quando Peter Jackson confirmou que seu projeto pós-Senhor dos Anéis seria o remake do King Kong de 1933, todos sabiam que seria um espetáculo épico de visual opulento e arrasador. Decidido a refilmar a cena clássica em que o gorila salva a mocinha de um gigantesco dinossauro, Jackson trocou a animação stop motion do original pelo mais moderno CGI, resultando na luta mais animal e selvagem (literalmente) já vista! A cena começa com Ann Darrow (Naomi Watts) se escondendo de um lagartão dentro de um tronco. Em seguida, ela tem que fugir de um tiranossauro. Quando ela parece estar a salvo, aparece mais um, e ela acaba pendurada em um galho, prestes a cair. É nesse momento que Kong surge para salvar a amada. Ao mesmo tempo em que enfrenta dois tiranossauros, tem que manter a mocinha a salvo; o que fica mais difícil, já que aparece mais um! Engalfinhados com os três monstros, Kong e Ann rolam por um precipício. A luta continua em um emaranhado de cipós, em que todos ficam presos. Ainda assim, os dinossauros tentam devorar a moça, que novamente é salva por Kong. Ela cai junto com um dos tiranossauros, enquanto Kong dá cabo dos outros dois. O clímax da luta é o embate entre o gorilão e o último dinossauro, praticamente filmada com a mesma "coreografia" do original. Kong arranca a lingua do tiranossauro com os dentes e estilhaça a sua mandíbula, dando as clássicas batidas no peito (coisa que, aliás, os gorilas definitivamente não fazem), para coroar a sua vitória. Ufa!
KARATE KID 2 (1986) - Luta Final

Nessa eu sei que muitos discordarão e me jogarão mil pedras. Mas quem já acessa o blog há algum tempo sabe que esse filme está na minha memória afetiva, como um dos favoritos da minha infância. De toda a trilogia, acho que é a única luta de Daniel-san (Ralph Macchio) que parece relativamente real (embora hoje a coreografia pareça ingênua), ainda que o clímax da primeira parte (com o famoso "chute da garça") seja mais lembrado. Na luta final da segunda parte, Daniel finalmente encara o sobrinho mal-caráter de Sato, amigo do Sr. Miyagi (com quem acaba de se reconciliar, após anos de inimizade). Daniel mais apanha do que bate, mas ambos estão cansados e machucados, quando o sr. Miyagi tira do bolso um tamborzinho que é o segredo do seu estilo de karatê. Todos em volta têm o tal tamborzinho (?) e começam a manipulá-lo. É quando Daniel finalmente entende os movimentos e os utiliza no adversário, neutralizando-o e até soltando uma piadinha no final. Toda vez que eu assisto sinto uma nostalgia! Kiai!

O VOO DO DRAGÃO (1972): Bruce Lee x Chuck Norris

Não poderia faltar um filme clássico, e quem mais poderia estrelar um clássico se não o grande Bruce Lee? Na sua luta mais famosa, a encrenca é com outra lenda da pancadaria, Chuck Norris! Lee começa usando kung fu tradicional, e toma uma surra! Quando ele decide usar um estilo que se adapta ao adversário, o jeet kune-do (criado por ele), trucida o pobre Chuckie, que tem o seus pelos do peito arrancados, a perna e o braço quebrados e finalmente é estrangulado por Lee, que, num ato de respeito, cobre o corpo do oponente com seu quimono. Outra luta clássica é a de Lee contra uma escola inteira, em A Fúria do Dragão, mas a que relatei aqui é mais famosa, classificada em várias revistas como a melhor luta de kung fu de todos os tempos.

CAÇADO (2003): Luta Final entre Tommy Lee Jones e Benicio Del Toro

Adoro este filme relativamente desconhecido, pois é um dos únicos que abordam um estilo de luta com facas (kali filipino). Benicio Del Toro é um ex-assassino do governo que surta e Tommy Lee Jones é o único que pode detê-lo, já que é agente que o treinou. Ambos são especialistas em técnicas de rastreio e sobrevivência. A luta final acontece em um penhasco, à beira de uma queda d'água. Del Toro tem uma faca de metal e Jones, uma faca de pedra (cada um fez a sua antes do combate). A luta é rápida, cruel e sangrenta. Jones sai vitrioso, embora muito machucado. Ótima e dramática coreografia!



POLICE STORY (1985): Cena do Shopping

É claro que Jackie Chan não poderia faltar (tem mais dele abaixo). Police Story é uma de suas séries mais famosas, destacando-se pelas arrasadoras cenas de ação. O clímax do primeiro filme acontece em um shopping, onde o personagem de Jackie enfrenta os capangas do vilão. Com Jackie no auge da forma física e criatividade coreográfica, a ação não para um segundo, com o protagonista distribuindo porrada para todos os lados, quebrando muitos vidros (mas muitos mesmo), arrastando um dos capangas com uma moto, e, por fim, deslizando por uma fiação, estourando várias lâmpadas. Encerrando a cena (e o filme), Chan deixa extravasar toda a sua fúria, distribuindo dezenas de socos no estômago do vilão! Clássico é pouco...

LUTAR OU MORRER (1994): Jet Li x Billy Chau (clímax)

Um dos melhores (se não o melhor) filmes de Jet Li, Lutar ou Morrer (um remake de Fúria do Dragão, de Bruce Lee) não possui apenas uma luta sensacional; podemos declarar sem medo que simplesmente todas as lutas desse filme mereciam estar na lista (a luta de Li contra uma escola inteira, passando pelo clássico embate entre o protagonista e a lenda viva Yusaki Kurata), mas a luta final entre Chen Zhen (Li) e o general japonês vivido por Billy Chau é inigualável! Com uma coreografia furiosa e sem apelar para os cabos que são a marca registrada de Li, essa luta é de tirar o fôlego! Pena que esse filme nunca foi lançado em DVD no Brasil...



O REINO PROIBIDO (2008): Jackie Chan x Jet Li

Este filme realiza um antigo sonho dos fãs dos filmes de artes marciais: reunir os dois maiores astros do gênero, Jackie Chan e Jet Li. Claro que o filme foi muito criticado pelo tom leve, uma concessão para o mercado internacional (afinal, o protagonista é um adolescente americano fracote), apesar de apresentar várias referências à filmografia chinesa. Para mim, o filme já vale pelo confronto entre as duas lendas. A coreografia homenageia os maiores sucessos dos dois astros (o estilo Shaolin com fios que Li consagrou na série Era Uma Vez na China e o estilo bêbado usado de maneira espetacular por Chan na série Drunken Master). Apesar de nenhum dos dois apresentar a mesma agilidade do passado, a luta não decepciona. Curiosidade: nas duas séries a dupla fez o papel de Wong Fei Hung, uma das personalidades mais famosas da China.


O MESTRE INVENCÍVEL (1994) - DRUNKEN MASTER 2: Luta na Fábrica

Assim como Lutar ou Morrer, todas as lutas de Drunken Master 2 são perfeitas (a luta de Chan e a lenda viva Lar-Kar Leung embaixo de um trem, o confronto dos dois contra centenas de oponentes no restaurante), mas o clímax na fábrica tem uma das melhores e mais brutais coreografias da história do cinema (o que não é pouco em se tratando de Jackie Chan). Wong Fei Hong (Chan) enfrenta vários adversários, mas o mais perigoso é de longe Ken Lo, com seus mortais chutes. A única esperança do protagonista é se embriagar com uma explosiva mistura, turbinando seu estilo drunken boxing! É quase impossível não sentir pena dos dublês...


ALIENS O RESGATE (1986): Ripley x Rainha Alien

Antes de Titanic e Avatar, James Cameron ainda não tinha seu talento de gênio (e toque de Midas) reconhecido, tendo no currículo apenas Piranha 2 e O Exterminador do Futuro. Topando o desafio de dar sequência a um enorme sucesso (o Alien original, dirigido por Ridley Scott), Cameron optou por uma troca de gêneros. Ao invés do terror, construiu uma ficção científica repleta da mais pura ação. A protagonista Ripley se une a uma tropa de fuzileiros para investigar uma colônia, e se depara com dezenas de alienígenas. Se no primeiro filme o desafio era apenas um alien, Cameron multiplicou a quantidade de monstros, e introduziu a rainha alien, que enfrenta Ripley no clímax. Para proteger Newt, uma garotinha que acaba de "adotar", Ripley veste um traje-robô (utilizado para trabalhos pesados) e confronta o gigantesco monstro, lançando-o para fora da nave em uma cena tensa e eletrizante! Foi a partir deste filme que virei fã de James Cameron, e ele nunca me decepcionou desde então (tá certo que Titanic foi uma baba, mas como ficar indiferente a 2 bilhões de doletas, isso quase uma década antes de Avatar?)...



O PROTETOR: Tony Jaa quebrando tudo!


Após o sucesso de Ong Bak, o próximo filme de Tony Jaa era muito esperado. O Protetor, apesar da história bobinha, não decepcionou, pois a qualidade das suas cenas de ação é excepcional, com destaque para a cena aparentemente sem cortes em que Tony Jaa sobe as escadas de um restaurante e trucida todos os adversários, a luta entre o protagonista e o capoeirista Lateef Crowder e Jaa contra um bando de grandalhões. Entretanto, na minha opinião, a melhor luta é aquela em que Jaa acaba de ser esfaqueado, fica enfurecido e enfrenta mais de 30 capangas, quebrando os ossos de todos eles com técnicas de torção semelhantes às do Aikido e Hapkido (aliás, uma aula dessas técnicas). Dá quase pra sentir a dor, hehehehe...



quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Análise: TEKKEN - O FILME!

TEKKEN é uma das séries de games de luta mais famosas de todos os tempos. Sucesso principalmente da plataforma Playstation, era só uma questão de tempo até ser levada às telas de cinema. De fato, os boatos foram ficando mais fortes, e culminaram nos rumores sobre o elenco, que incluiria Jackie Chan e Cary-Hiroyuki Tagawa! Alguns nomes se confirmaram, outros não; mas o fato é que a dúvida fundamental era qual linha o filme seguiria, a de Street Fighter - A Última Batalha (apesar de encabeçado por Jean Claude Van Damme, descaracterizou tanto os personagens que o resultado foi constrangedor) ou de Mortal Combat - O Filme (que apesar do enredo de filme B manteve-se fiel ao visual e aos poderes de cada personagem). Agora que o filme acaba de ser lançado em DVD, posso afirmar que felizmente o longa se aproxima mais do segundo caso.
Transposições cinematográficas nunca conseguem ser extremamente fiéis, e nesse caso o desafio era ainda maior: como resumir ou adaptar em menos de 2 horas um enredo que cobre 6 jogos? Afinal, durante toda a saga, ocorrem inúmeras trocas entre protagonistas e vilões/chefões de fase final. No primeiro jogo, o protagonista era Kazuya, filho de Heihachi Mishima, com quem disputa a liderança da companhia da família, o que será decidido no torneio Iron Fist. Possuído por um demônio, Kazuya derrota o pai, que sobrevive para protagonizar o segundo game (onde ocorre a primeira troca entre protagonista e antagonista; agora Kazuya é o chefão final). A partir da terceira versão, entra em cena Jin, filho bastardo de Kazuya e neto de Heihachi, que também possui o gene demoníaco do pai. E é uma confusão, com pai jogando filho em precipício, filho jogando pai em vulcão, pai e filho se unindo para depois se traírem, etc!
Assim, o mote do filme continua sendo a disputa entre Kazuya e Heihachi, e Jin Kazama como o protagonista. Mas o enredo pouco importa, pois a preocupação principal dos fãs era a qualidade das lutas, além da caracterização dos personagens. A coreografia ficou a cargo de Cyril Raffaeli, coreógrafo francês mais conhecido por papéis de coadjuvante em Beijo do Dragão e Duro de Matar 4.0, e principalmente como co-protagonista nos dois B13. Ele se sai bem , embora eu ache que ele poderia ter inovado mais.
Pai e filho: um é a cara do game; o outro, nem tanto.
Quanto à caracterização dos personagens, aqui cabem alguns comentários. Infelizmente, Jackie Chan não participa do filme (boatos indicavam que ele faria o policial Lei Wulong, personagem inspirado por ele), mas Cary-Hiroyuki Tagawa (que fez Shang Tsung em Mortal Combat) faz um Heihachi muito parecido com o personagem, apesar de eu achar aquele cabelo um pouco constrangedor. Contudo, no filme o velho é justo e honrado, apesar de rígido, sendo que no game ele é tão malvadão quanto Kazuya (que, aliás, não parece nem um pouco com o game).
Marshal Law: Bruce Lee genérico?
Gary Daniels: até que está a cara do Brian Fury...
Lateef Crowder: o Eddie Gordo perfeito!
Cong Le faz um Marshal Law pouco fiel (afinal no game ele é um Bruce Lee genérico), mas Raven e Brian Fury (o grande Gary Daniels) estão bem caracterizados. A fidelidade maior é de Eddie Gordo, que é interpretado por ninguém menos que o capoeirista brasileiro Lateef Crowder! Pena que ele perde a primeira luta, hehehe...
Nina e Anna: no filme não lutam nada, mas quem se importa? Hehehe...
As mulheres (Anna e Nina Williams e Christie Monteiro) estão no filme apenas como colírio para os olhos e realmente não decepcionam! Aliás, para mim quem rouba o filme é Christie (o que já acontecia nos games): a atriz Kelly Overton é maravilhosa (embora diferente do game); simplesmente já vale o preço da locação, hehehe... Confira como ela ficou, ao lado de Jin, vivido pelo semi-desconhecido Jon Foo, que segura bem as pontas como protagonista.
O protagonista Jin ao lado de Christie Monteiro (Uau!)...
Tekken combina elementos de dois filmes baseados em games que deram certo: a caracterização razoavelmente fiel de Mortal Combat e as gostosonas em trajes sumários de D.O.A. A cena mais marcante para mim é quando Christie "encosta" Jin na parede e fala "Vou te dar uma surra amanhã.", e ele pergunta "Você promete?"Hahaha! Seria a minha resposta também....
Pelo filme em si eu daria nota 7, mas pela Christie, arredondo para 8.0!

terça-feira, 27 de julho de 2010

O CUBO MÁGICO E SUA INFLUÊNCIA NA CULTURA POP

Hoje vou fugir um pouco dos assuntos mais comentados no blog. Ou não, já que o assunto primordial do blog não é apenas a cultura pop em geral, mas principalmente a cultura nerd, e não tem nada mais nerd do que esse assunto! Um dos maiores ícones dos anos 80, o Cubo de Rubik ou Cubo Mágico (como ficou mais conhecido no Brasil) é, ao lado dos bloquinhos Lego, simplesmente o brinquedo mais popular do planeta (já foram vendidas mais de 250 milhões de unidades). Ele foi criado em 1974 pelo húngaro Erno Rubik, e vendido comercialmente a partir de 1978. Nos anos 80, virou uma febre mundial, e até hoje existem milhões de entusiastas espalhados pelo mundo (incluindo este blogueiro que vos fala).
O número de combinações possíveis no brinquedinho é superior a 43 quintilhões! Claro que ele virou um dos maiores passatempos nerd: de posse de algumas fórmulas (também chamadas de algoritmos), cubers de todo o planeta tentam quebrar recordes de tempo. Para efeito de comparação: eu monto um cubo em um tempo de 3 a 5 minutos (tempinho até razoável para qualquer ser humano normal), mas alguns o resolvem em menos de 20 segundos! O recorde sul-americano está ao redor de 11 segundos, e o mundial é de 7 segundos!!! Achou incrível? Que tal resolver um cubo de olhos vendados? Ou com uma só mão? Ou pulando de para-quedas? É, tem gente precisando urgentemente de namorada...




Com o tempo, surgiram inúmeras variações do cubo. Além do tradicional, também chamado 3x3x3, temos o 2x2x2, o 4x4x4, o 5x5x5, e por aí vai, até um casca-grossa 11x11x11! Você pode até achar cubos para cegos, como o Braille-cube e o Touch cube, este com texturas diferentes em cada face!

Atualmente existem vários sites sobre o assunto, onde podemos visualizar inúmeras versões do brinquedo, de todas as formas possíveis, além de informações como fórmulas para resolução, recordes, curiosidades, etc. Um dos que eu mais gosto é o Cubo Velocidade (http://www.cubovelocidade.com.br/), do Renan Cerpe, um dos recordistas brasileiros de tempo. Confira e pire com a coleção dele!
O humor também faz parte do cubo mágico. Duvida? Veja então a "resolução ultra-rápida" do cubo, e morra de rir com duas versões do "cubo mágico para louras". Hahaha! É, eu sei que é maldade, mas que é engraçado, isso é!

O cubo já foi objeto de vários desocupados. Veja a reprodução de "A Última Ceia", de Da Vinci, feita com cubos! Ficou com fome? Que tal um "cuboíche"? Garanto que a sua taxa de colesterol vai triplicar numa única mordida...


Sendo um brinquedo tão popular e facilmente reconhecido no mundo todo, é natural que ele já tenha parecido em praticamente todas as mídias, como histórias em quadrinhos e filmes (mais recentemente, no filme "À Procura da Felicidade", o personagem de Will Smith resolve o cubo para impressionar seu futuro chefe - o DVD do filme apresenta um documentário sobre o cubo).


É impressionante como um brinquedinho aparentemente simples tenha se transformado em um verdadeiro fenômeno, estando hoje tão popular quanto na época de seu lançamento! Aposto que você ficou com vontade de procurar aquele seu cubo velho em algum baú, para tentar resolvê-lo novamente, não é? Ou então, se você ainda não tem o seu, procure na web que existem vários sites para você comprar o seu. Dê preferência a um cubo original, mas se não der, em qualquer loja de R$1,99 você encontra! Boa sorte!

sábado, 10 de julho de 2010

Análise: MISSÃO QUASE IMPOSSÍVEL


No último post, falei sobre Little Big Soldier, um filme de Jackie Chan que ainda não foi lançado por aqui. Dos filmes de Chan programados para 2010, só Missão Quase Impossível já foi lançado por aqui. Não pude conferir nos cinemas, e achei que demoraria um pouco para o lançamento em DVD. Qual não foi minha surpresa quando o vi na locadora que frequento!

Missão Quase Impossível é uma comédia para toda a família. Lembra muito Operação Babá, com Vin Diesel e outros que outro brucutu, The Rock, anda fazendo (Treinando com o Papai, O Fada do Dente). Ou seja, segue a clássica fórmula do herói casca-grossa que perde o rebolado quando tem que lidar com um bando de crianças. Tudo previsível, ainda que divertido.

Chan é Bob 006 (gozação em cima de adivinhe quem), um super-espião a serviço da CIA que se aposenta para viver tranquilo com Gillian, sua namorada e vizinha (Amber Valetta). Entretanto, Bob tem dois problemas: os filhos da namorada o odeiam e o vilão preso por ele em seu último trabalho foge da prisão. Quando Gillian precisa viajar, Bob se oferece para cuidar das crianças (a caçula pentelha, o filho do meio com baixa auto-estima e a mais velha, uma adolescente cheia de rebeldia). É claro que inicialmente as crianças infernizam a vida de Bob e depois são conquistadas; é claro que o tal bandido vai atrás de Bob e as crianças passam a correr perigo; e é claro que tudo acaba bem no final.

As lutas têm todas as características de Jackie Chan, mas estão todas suavizadas, condizentes com o tom infantil/familiar do filme. O elenco é inspirado, principalmente quem tem filhos pequenos e está familiarizado com os programas favoritos da garotada. Um dos colegas de Chan é Billy Ray Cyrus, o pai de Hannah Montana (Miley Cyrus) e o vilão principal é Magnus Scheving, campeão de ginástica olímpica da Islândia e protagonista do programa Lazy Town, do canal a cabo Discovery Kids. Quem já o viu no programa sabe que sua performance com Chan poderia ser mais atlética e mirabolante, mas preferiu-se uma abordagem mais cômica.

O filme segue o tom mais leve dos filmes americanos de Jackie. Tomara que com Karate Kid ele pegue mais pesado (o trailer promete).

Algumas curiosidades: no início do filme, ao som de "Secret Agent Man", passam algumas cenas de filmes antigos de Jackie, como uma "retrospectiva" de sua vida de espião. As cenas são de vários filmes, principalmente Armadura de Deus e Operação Condor. Além disso, Chan troca alguns beijinhos com a gatíssima ex-modelo Amber Valetta, coisa rara em seus filmes (tão raro que o assunto já inspirou até um artigo interessante em um dos primeiros posts do blog Asian Fury, do amigo Takeo Murayama).

Até a próxima!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Análise: LITTLE BIG SOLDIER


Mais prolífico do que nunca, Jackie Chan programou nada menos do que 3 filmes para 2010! Missão Quase Impossível (The Spy Next Door), uma comédia familiar na linha de Operação Babá (com Vin Diesel), foi lançado no Brasil no primeiro semestre, mas não pude conferir (agora, só em DVD). O mais esperado deles, a nova versão de Karate Kid, só em agosto. O terceiro filme é justamente o que vou comentar agora, e ainda não tem previsão de lançamento por aqui (foi lançado em fevereiro na China).
Little Big Soldier é uma história de guerra situada antes da unificação da China pelo império Qin. Depois de uma sangrenta batalha entre duas nações rivais, Liang e Wei, restam apenas dois sobreviventes: um soldado de Liang (Jackie Chan), desertor e trambiqueiro, cujo maior interesse é parar de lutar e viver em paz; e um General de Wei (Wang Lee Hom), um habilidoso guerreiro ferido no conflito. Jackie o faz prisioneiro e pretende levá-lo para Liang para receber uma recompensa pela sua captura, que lhe permitirá ter sua própria fazenda. É claro que o prisioneiro oferece resistência, e tenta fugir a todo momento.
Além de lutarem entre si, os dois ainda têm que fugir de um jovem príncipe que quer matar o general (o motivo só é revelado no final, embora seja manjado desde o início), e de guerreiros nômades que se interpõem no caminho. Com a convivência, Chan e o general precisam aprender a unir forças, e ambos aprendem importantes lições. As lutas não são o grande destaque do filme (apesar de terem o toque de Chan, estão mais comedidas do que de costume). O ponto mais interessante é a dinâmica entre os dois protagonistas, que têm visões bem diferentes sobre o significado de patriotismo, guerra e honra. O final, um pouco trágico, marca bem a mudança de postura dos dois em busca de redenção.
Particularmente, achei regular, pois espero mais de Jackie Chan. Mas, sabe como é, fã é fã...

domingo, 27 de junho de 2010

O REBELDE


Filmado em 2006, foi lançado em DVD no Brasil no ano passado. Demorei para conseguir uma cópia do filme, mas a espera valeu a pena: é um filmaço! O Rebelde se destaca por ser um filme vietnamita - coisa rara em qualquer gênero - e por ter como protagonista o grande Johnny Nguyen. Para os fãs de filmes de artes marciais, ele é conhecido por ter interpretado um vilão em O Protetor e, mais recentemente, o vilão principal em Os Meninos Superpoderosos. Muitos se perguntaram por que ele ainda não havia ganhado destaque em um filme, e a resposta é O Rebelde. Uma curiosidade que muitos perceberam é que o sobrenome Nguyen aparece várias vezes nos créditos, desde o protagonista até o vilão, o diretor e mais alguns da equipe técnica! Será que são todos parentes ou o sobrenome é igual ao nosso "Silva"? Vai saber...

O Rebelde conta a história de Cuong, um jovem agente vietnamita a serviço do governo francês, que ocupava o Vietnã nos anos 20. Os franceses oprimem violentamente o povo local, que tenta reagir por meio de atentados contra franceses. Cuong, um lutador extremamente habilidoso, tem a missão de proteger os franceses, e muitas vezes acaba matando rebeldes vietnamitas, seus próprios compatriotas. Cansado de tanta violência e morte, ele resolve mudar de lado, libertando Thuy, a filha do líder da resistência local (a bela Thanh Van Ngo), por quem acaba se apaixonando. Perseguido por seu antigo aliado Sy, Cung e Thuy precisam lutar pela liberdade de seu povo. Claro que o clímax é a luta de Cuong e Sy, que além de ser tão bom quanto Cuong, possui uma apurada técnica de calejamento que o deixa praticamente imune a armas brancas e, portanto, difícil de matar (pode parecer fantasioso, mas quem conhece a técnica tikoon do kung fu sabe que é possível). Dustin Nguyen, que interpreta o vilão Sy pode parecer familiar, principalmente para quem tem mais de 30 anos. É que ele era um dos protagonistas (ao lado de Johnny Depp) de um seriado muito popular nos anos 80: Anjos da Lei (21st Jump Street no original). Hehehe, é, eu tô ficando velho...

O Rebelde tem lutas arrasadoras, semelhantes às dos filmes tailandeses recentes. Tem passado batido nas locadoras, mas confira sem medo !